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Formigueiro da corrupção

Como coloca velho escrevinhador (jornalista tarimbado), estamos vivendo um momento catastrófico. Iguais baratas tontas atingidas por venenos de má qualidade, os políticos estão dando demonstrações de que estão no meio de um redemoinho assoberbado. Isto desde o surgimento das denúncias sobre crimes e irregularidades praticadas por diversos governantes, agentes públicos, políticos e empresários.   

A palavra delação passou a ser a palavra de ordem, tanto para os que defendem punições, como também por parte daqueles que buscam uma brecha para serem beneficiados, de alguma forma. Como já colocamos em linhas passadas, Mato Grosso e Brasília estão afundando nas várias delações levadas a efeito pelas famílias Batista (JBS) e pela Barbosa (liderada pelo patriarca, o ex-governador Silval Barbosa).

Até a Lava Jato passou a ficar na sombra, momentaneamente. A bola da vez agora o ex-ministro Geddel Viana e seus R$ 51 milhões. Mas o alívio tem pouco tempo. Isto porque daqui a pouco haverá novas prisões e novas delações para que o ministro Gilmar Mendes, tido como o protetor de muitos apaniguados, possa exercer a sua força macabra, colocando em dúvida a nossa própria Justiça, tida como separatista.

A nossa República vive momentos efêmeros, ou seja, de acontecimentos funestos para uns e de esperanças para outros. Em Brasília, por exemplo, quando se imaginava que a poeira das delações de Wesley tinham terminado, eis que surgem novas inserções de dados e documentos que voltam a envolver políticos de mamando a caducando e o próprio Wesley, que começou a cometer asneiras em cima de asneiras.

De tão afoitos gravaram até mesmo suas performances, o que poderá desencadear idas e vindas para eles e também outros desavisados. Há chumbo grosso sendo espalhados  para todos os gostos.

No Mato Grosso também não está sendo diferente. A cada dia surgem novos depoimentos, novas denúncias e novos desmembramentos, jogando na lama muitos nomes que defendiam a tese de impolutos.

Tanto lá, como cá, a produção de farta documentação e gravações embotam nomes e jogam por terra o futuro político de muitos, tidos como santinhos, que agora são do “pau oco”. O interessante é que ainda se dizem perseguidos, mesmo sendo gravados com a mão na botija, ou melhor, com os maços de dinheiro.

A colocação é de os Batistas e os Barbosas  e outros estão com os ventiladores ligados nas farofas de muitos que buscam tirar proveitos das situações Isso causa grande reação no meio político, atrapalha o andamento dos projetos no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que está encastelada em diversas maracutaias.

Muitos envolvidos devem estar dizendo a si mesmo a seguinte colocação: “com que cara que eu vou, lá no parlamento, ou falar com meus futuros eleitores” Há ainda o outro ângulo, que é o econômico que tem reflexos negativos, pois os investidores, ainda honestos, estarão sentindo que não há nada seguro, neste momento de turbulência, tanto econômica como política.  

Em Brasília o assunto do momento é a expectativa quanto as possíveis delações de Funaro, além de outras como de Palocci e cunha, que se forem homologadas com seus devidos conteúdos, poderão colocar o caldeirão político para ferver, ou seja, arrebentar ainda mais a tampa do balão.  

Não há instabilidade num pais não instável, muito pelo contrário estamos naquela do se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Enquanto isto votos passaram a custar fortunas em emendas e cargos aleatórios. Não há coerência, mas sim custo, o que nos faz acreditar que as reformas não são levadas à sério, mas sim para se tornar plataforma de negociatas de cargos e dinheiro. O presidente Michel Temer não conseguiu, até agora, a estabilidade necessária para implantar reformas significativas a que se propôs e certas horas chega a ser visto como sangue no olhar do vampiro, como dizia o poeta popular.

O sonho do verdadeiro brasileiro; daquele que é honesto e consciente no votar é de que os esquemas criminosos sejam extirpados da vida pública nacional e todos os ladrões, independente do seu quilate, sejam punidos.

Conforme um articulista “o governo, o parlamento e as instituições não podem parar à espera dos acontecimentos. Os vazamentos seletivos, as notícias tendenciosas e todo o caos que se procura criar não podem ser mais fortes do que as instituições. Se assim for, estaremos efetivamente perdidos e – pior que isso – a crise se agravará e todos nós sofreremos, principalmente a população de baixa renda”.

Por enquanto o que notamos é que o formigueiro da corrupção está aumentando, no dia a dia e os envolvidos na mesma parafernália, ainda se sentem no direito de espernear, de tentar justificar o injustificável.

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