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Política – a nobreza e a safadeza

José Elias Fernandes

Conheço razoavelmente as virtudes e vilezas da política, pois convivo e pratico essa atividade desde a adolescência.

Iniciada em tempos remotos, desde muito antes de Cristo, ensinada pelos filósofos gregos, a missão de gerir a coisa pública (rex publicae) enobrece, dignifica e engrandece o ser humano. Infelizmente, com o tempo vem degradando, vulgarizada, banalizada, na medida em que os malandros usurpam o espaço dos autênticos líderes.

Uma das diferenças notáveis, entre o antes e o agora, consiste na divulgação: as distorções sempre aconteceram, sem dúvidas, em menor intensidade. Porém os poderosos controlavam tudo e nada se divulgava na mídia. Restavam apenas os boatos de quem recebia as ordens para executar as falcatruas. Todavia quando alguma dessas testemunhas abria o bico, sofria certo tipo de acidente, quando não friamente assassinada, por injuriar gente importante. Contudo, isso raramente acontecia, pois todos auferiam vantagens pela conivência.

Normalmente o eleitor justifica qualquer ilicitude de seu político, desde que leve alguma vantagem. A começar pela venda do voto, sem questionar nada sobre o candidato. A legislação proíbe quase tudo, porém a compra de votos parece ainda mais escancarada, disfarçada na contratação de cabos eleitorais. A lei induz à imoralidade, senão ao crime, senão vejamos: os candidatos aos cargos legislativos – vereadores, deputados estaduais ou federais – todos podem legalmente contratar cabos eleitorais em número correspondente quase à metade da quantidade de votos necessários à própria eleição. Ou seja: oficialmente compra-se a metade do eleitorado.

Cada vez mais a nobreza cede espaço à safadeza, na prática de atividade tão vital ao convívio social. Daí o assustador avanço da criminalidade em todas as camadas. Quando o exemplo vem de cima, todos os demais segmentos se vêm no direito de também tirar proveito.

José Elias Fernandes é jornalista, ex-deputado e atual prefeito de Aragarças.

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