“Eu acredito que o Brasil continua em chamas”, diz caminhoneiro ao desmontar bloqueio, após 10 dias de paralisação
Por Kayc Alves/Da Redação -Semana7
Uma operação das forças de segurança pública acaba de desbloquear a BR-070, em Barra do Garças. Sem confronto com os manifestantes, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Força Tática da Polícia Militar, a Polícia Civil e o Exército Brasileiro atuaram para o fim da barreira montada há 10 dias nas proximidades da rodoviária do município. Segundo informações, o desbloqueio atende a uma liminar da Justiça Federal.
Ao Semana7, um dos líderes do movimento em Barra do Garças, o caminhoneiro e pequeno empresário Odilon Fonseca, confirmou que “o movimento acaba hoje”. Na manhã desta quarta-feira (30), os caminhoneiros desmontam o acampamento que mantiveram com a ajuda de empresários e de parte da população por uma semana e meia.
Os caminhoneiros não resistiram à presença das forças de segurança, que segundo Odilon, atendiam a determinação de uma liminar da Justiça Federal. Questionado se haverá novas articulações para a conquista das demais reivindicações da classe, o caminhoneiro nega.
“Eu acredito que o Brasil continua em chamas”, diz sobre o resultado do movimento. “A gente ascendeu uma tocha no Brasil e essa tocha não vai ser apagada.” Ele alega que os caminhoneiros saem do movimento felizes com o “recado” que deram.
Outros pontos do Brasil também estão sendo desbloqueados. Mas o movimento dos caminhoneiros parece ter tomado proporções maiores, mesmo após o acordo firmado entre entidades da classe e o governo federal, no último domingo (27). Nesta manhã, os petroleiros, através da Federação Única dos Petroleiros (FUP), deflagraram uma greve de três dias, desobedecendo uma ordem judicial.
Na primeira hora de ação, já passaram cerca de 200 caminhões segundo o 58º Batalhão da Infantaria Motorizada do Exército Brasileiro (58º BI Mtz). A operação das forças de segurança, de acordo com o comandante do 58º BI Mtz, coronel Gilvan Augusto de Farias Júnior, foi pacífica e teve resposta sem resistência dos manifestantes. “O objetivo foi favorecer os caminhoneiros que querem seguir viagem”, declara o militar.
Conquistas
As concessões do governo incluem a redução de R$ 0,46 no litro do diesel por 60 dias e, após o período, reajustes mensais. As medidas provisórias, que devem ser avaliadas pelo Legislativo, consistem em isenção do pedágio do eixo suspenso em todas as rodovias, 30% dos fretes da Conab para caminhoneiros autônomos e preço mínimo para os fretes.
Mas segundo Odilon Fonseca, o acordo fechado entre governo federal e entidades da classe, na segunda tentativa de desarme dos bloqueios, não inclui todas as reivindicações do movimento. Para ele, a manobra do presidente Michel Temer consistiu em se reunir com poucos representantes para oferecer “migalhas”.
“As pessoas que estão indo lá [em reunião com o governo], não são as pessoas que nós queríamos que fizessem o acordo. Estávamos lutando por pautas de toda a população, não apenas da classe de caminhoneiros”, afirma. Entre as reivindicações, de acordo com Odilon, a classe pede a redução sobre todos os combustíveis e sobre o botijão de gás. “Se diminuir só no diesel, a população fica prejudicada.”
Segundo Odilon, embora os caminhoneiros tenham recebido apoio para a manutenção do movimento, faltou força da população para que todas as reivindicações fossem atendidas. Ele critica parte dos moradores da região, que fizeram fila nos postos de combustível ontem, quando três deles foram abastecidos para atender serviços de urgências.
“Quando um caminhão de combustível foi descarregar para abastecer caminhões de coleta de lixo, ambulâncias e viaturas, aí a população que diz que quer melhorias evadiu o posto, ameaçou colocar fogo e virou uma multidão”, relatou. Para ele, isso prejudicou o movimento e demonstrou falta de apoio.
Em outras regiões do Brasil, outro motivo para a tentativa de resistência do movimento tem sido apontado pela mídia nacional. Os manifestantes que permanecem no movimento são chamados de “intervencionistas” que pedem a intervenção das Forças Armadas na crise política do país. Eles estariam exigindo a renúncia do presidente Michel Temer e a ascensão da instituição militar no poder.
Na segunda-feira (28), uma carreata do movimento em Barra do Garças se dirigiu até a unidade do 58º BI Mtz, em Aragarças, pedindo intervenção militar. Alguns representantes conversaram com o coronel Gilvan Augusto de Farias Júnior, que os recebeu, mas preferiu não se posicionar quanto à solicitação






Seja o primeiro a comentar sobre "Movimento dos caminhoneiros acaba em Barra do Garças, após determinação federal"