Por que tantas franquias abrem e fecham em Barra do Garças?

Foto: Reprodução

Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com

Se você é de Barra do Garças, com certeza já teve a sensação de “Ué, essa loja abriu ontem e já fechou?”. Pois é. Parece que, em nossa cidade, as franquias vivem um ciclo intenso de entusiasmo, inauguração, expectativa… e, pouco tempo depois, o temido anúncio de encerramento. Isso se repete com tamanha frequência que virou quase um padrão no comércio local.

Mas por que isso acontece? O problema está na cidade? No modelo de franquia? Ou na gestão dos empreendedores?

É preciso dizer, antes de tudo, que franquia não é milagre. Por mais que seja um negócio testado, com modelo pronto, suporte e marca conhecida, ela ainda depende de fatores locais para funcionar. E é aí que muita gente tropeça.

Uma pesquisa recente da consultoria Franchise Solutions revelou que 31% das franquias fecham por má escolha do ponto comercial. Em uma cidade como Barra do Garças, onde o comércio é bastante centralizado e os bairros ainda não absorvem bem negócios de destino, abrir uma unidade sem analisar o fluxo real de pessoas é receita para o fracasso.

Outro dado preocupante: 28% dos fechamentos são causados por falta de capital de giro. Parece básico, mas muita gente investe tudo na taxa de franquia e esquece que o negócio leva meses (às vezes, anos) para se pagar. Sem caixa para aguentar o tranco, fecha-se a porta antes mesmo de fidelizar clientes.

A isso, soma-se o despreparo no treinamento da equipe, o desalinhamento com a franqueadora e a concorrência acirrada com o comércio informal ou com empresas locais mais adaptadas à realidade da cidade.

E não para por aí.

Em Barra do Garças, muitos empreendedores se encantam com o sucesso das franquias nas grandes capitais e acreditam que basta “trazer a marca para cá” que o sucesso virá no pacote. Mas esquecem que o poder de compra aqui é diferente. A cultura de consumo é outra. A sazonalidade pesa. E o que é “moda em São Paulo” pode não ter apelo algum na Vila Maria ou no centro da cidade.

O resultado? Uma sequência de placas “passo o ponto” e “aluga-se” que deixam o consumidor local frustrado e fazem parecer que Barra do Garças não tem mercado — o que não é verdade.

A cidade tem sim potencial. Tem público. Tem movimento. O que falta, muitas vezes, é estudo de mercado sério, planejamento estratégico e compromisso real com a operação — e não só com a ideia de “virar empresário”.

Como jornalista e cidadão, me pergunto: quantos bons negócios poderíamos ter mantido, se os erros fossem evitados antes da inauguração? Quantos empregos diretos e indiretos se perderam? Quantos sonhos naufragaram por uma decisão mal pensada?

E deixo essa pergunta para você, leitor:

Você apoia os negócios locais? Valoriza as franquias que chegam ou torce o nariz achando que “isso aqui não dá certo”?

Já parou para pensar que empreender em Barra do Garças é um ato de coragem — e que talvez mereça mais apoio e menos julgamento?

O que a cidade precisa fazer — enquanto comunidade — para que os negócios fiquem, prosperem e criem raízes aqui?

Talvez a resposta para que franquias sobrevivam em Barra do Garças não esteja apenas no contrato, no ponto ou no treinamento. Talvez esteja na forma como nós, enquanto cidade, lidamos com o novo. E, principalmente, na forma como preparamos o terreno antes de plantar.

Porque abrir portas é fácil. O desafio mesmo é mantê-las abertas.

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