Sarau Dona Palmira celebra cultura popular em Torixoréu

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Evento reuniu artistas, acadêmicos e moradores em noite de arte e tradição no centro histórico da cidade

Da Redação/Semana7

Cerca de 100 pessoas prestigiaram na noite de sábado (12), o 4º Sarau Dona Palmira, evento já tradicional no calendário cultural da cidade, coordenado pela professora e ativista Dione Lauria. Realizado ao ar livre, na rua Marechal Rondon, (no centro histórico de Torixoréu, na porta da casa onde residia a homenageada), o encontro reuniu música, poesia e memória, em uma celebração da identidade cultural da região do Araguaia.

A tertúlia literária congrega músicos, poetas e atrizes, onde o palco é aberto para o público em geral e compartilha-se em espírito fraterno o cultivo das artes, as comidas típicas e as bebidas que acompanham o concorrido evento com récita de autores de renome com passagem por Cora Coralina, Mário de Andrade, Carlos Drummond, Elias José, Manoel de Barros, Camões, Castro Alves, entre tantos outros que incorporam o repertório. Dada a sua importância artística, o Sarau Dona Palmira já faz parte do calendário cultural da cidade com apoio oficial da Prefeitura do Município.

Com um palco simples, mas carregado de simbolismo, o sarau contou com a apresentação do cantor e compositor Beirão Neves, figura requisitada em festivais nacionais, que abriu a noite com um repertório que transitou entre composições autorais e clássicos da música popular brasileira, como Jakson do Pandeiro.

A programação também contou com a participação especial da atriz e declamadora Diane Pereira, residente na cidade goiana de Mineiros, que a exemplo de anos anteriores veio acompanhada de seus filho Augusto e de sua irmã Majorie. Ele, um violonista de mão cheia. Ambos emocionaram o público ao interpretar canções de Chico Buarque e de outros ícones da MPB.

Em meio às leituras, Dione Lauria também trouxe à tona os versos de Legado Oculto, do poeta Wanderley Wasconcelos, obra que revisita personagens e histórias da antiga vila de garimpeiros, então conhecida como Balizinha, e que hoje compõem o imaginário coletivo da cidade.

“O nosso propósito é tirar da invisibilidade a cultura local, resgatar memórias, valorizar os torixorinos que fazem arte. A ideia é que a literatura, o teatro, a música, o folclore, tudo isso volte a aparecer de forma leve, divertida, mas com profundidade”, explica Dione Lauria.

O sarau, que envolve artistas “de oito a oitenta anos ou mais”, como Dione costuma dizer, se firmou como uma espécie de ponto de encontro entre gerações. Com direito a causos antigos, reencontros de amigos, além de um lauto jantar coletivo, regado a bom vinho, bolos caseiros, doces em calda e iguarias típicas da cidade. Resumindo o contexto, a noite foi marcada pela harmonia entre arte, afeto e tradição.

Mais do que um evento cultural, o Sarau Dona Palmira vem se consolidando como um movimento de resistência e valorização das raízes torixorina, pequena cidade do Vale do Araguaia que, outrora vila de garimpos, se transforma, a cada edição deste Sarau, em um palco vivo da memória e da arte popular.

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