A Dança das Cadeiras no Araguaia: O Adeus de Farias a Wellington e a Ascensão de Pivetta

Foto: Reprodução

Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com

A política, em sua essência mais crua, é um jogo de alianças e desapegos, onde a lealdade, por mais histórica que seja, muitas vezes cede lugar à conveniência do momento e à projeção de futuro. Na região do Vale do Araguaia, um dos mais importantes colégios eleitorais de Mato Grosso, o tabuleiro eleitoral para 2026 acaba de sofrer um abalo sísmico com a confirmação de um rompimento que, embora especulado nos bastidores, carrega um peso simbólico considerável: a saída do ex-prefeito de Barra do Garças, Wanderley Farias, do arco de apoio do senador Wellington Fagundes (PL) e sua imediata adesão à pré-candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Palácio Paiaguás.

O movimento, noticiado com a manchete “Farias deixa WF e já ‘cola’ em OP”, é mais do que uma simples troca de lado; é um sintoma claro da fragilidade que começa a rondar a investida de Wellington Fagundes rumo ao governo estadual. Farias, um político de três mandatos em Barra do Garças, representa uma aliança histórica e um capital político consolidado no Araguaia. Sua deserção, anunciada publicamente ao lado de Pivetta durante uma visita do vice-governador ao município, é um golpe direto na espinha dorsal da campanha de Fagundes na região.

A troca de cordialidades entre Wanderley Farias e Otaviano Pivetta não é desprovida de contexto histórico. Ambos foram prefeitos contemporâneos entre 1997 e 2000, com Pivetta em Lucas do Rio Verde e Farias em Barra. Essa memória de gestão, agora resgatada, serve como ponte para uma nova aliança que se desenha com ares de pragmatismo e renovação. Para Pivetta, o apoio de Farias é um endosso de peso, uma demonstração de força que transcende as fronteiras do agronegócio e penetra no tradicional campo político do Araguaia, historicamente ligado a Fagundes.

A reação no campo de Wellington Fagundes é de notória mágoa. O senador, que mantém uma emissora de TV na região e sempre desfrutou de uma presença política marcante, vê seu espaço encolher. A perda de um aliado de longa data como Wanderley Farias não é apenas uma baixa numérica, mas um sinal de que a hegemonia política de Fagundes no Araguaia está sendo desafiada de forma contundente. O ex-prefeito de Barra do Garças, ao se realinhar com Pivetta, sinaliza que a corrida ao Executivo estadual está longe de ser um caminho pavimentado para o senador.

Este episódio serve como um alerta para todos os pré-candidatos: a política mato-grossense é fluida, e as alianças de ontem podem ser as oposições de amanhã. A adesão de Wanderley Farias a Otaviano Pivetta não apenas fortalece o vice-governador, que se consolida como o nome de continuidade do projeto de Mauro Mendes, mas também expõe as fissuras na base de apoio de Wellington Fagundes.

O Vale do Araguaia, com sua importância estratégica, torna-se agora um palco de intensa disputa. A “cola” de Farias em Pivetta é um movimento que deve ser lido como um indicativo de que o vice-governador está disposto a investir pesado na região, buscando desmantelar a influência de Fagundes em seu próprio quintal. Resta saber como o senador e seu grupo reagirão a essa perda significativa. No jogo da política, perder um aliado histórico é sempre um revés, mas a forma como se lida com a derrota é que define a capacidade de seguir na disputa. A dança das cadeiras começou, e o Araguaia está no centro do salão.

Seja o primeiro a comentar sobre "A Dança das Cadeiras no Araguaia: O Adeus de Farias a Wellington e a Ascensão de Pivetta"

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.


*