Projeto Serra Azul: O Patrimônio Esquecido Que Todo Mundo Diz Amar, Mas Quase Ninguém Defende

 

Por: Eduardo Oliveira

Barra do Garças tem um talento curioso: consegue ter um dos parques naturais mais impressionantes do Centro-Oeste e, ao mesmo tempo, deixá-lo praticamente abandonado. É quase um dom. A Serra Azul, que poderia ser nossa joia turística, continua servindo mais para discurso bonito do que para ação real. E o mais irónico é que ninguém pode dizer que faltou projeto — faltou atitude.

O Projeto Serra Azul, criado em 2016, estava pronto. Estruturado, pensado, alinhado com as melhores práticas do turismo sustentável. Um plano digno de cidade que quer crescer. Centro de visitantes, trilhas seguras, acessibilidade, sinalização, transporte interno. Tudo pensado, tudo organizado… e tudo engavetado.

E aí aparece a pergunta que insiste em voltar:
Quem tem coragem de assumir que deixou isso parado?

Porque, sejamos sinceros, a cidade fala da Serra Azul como se fosse um tesouro intocável, quando na prática tratamos o parque como um vizinho esquecido no fundo do quintal. Um lugar que todo mundo “acha lindo”, mas poucos realmente se importam em proteger, manter ou desenvolver.

Enquanto isso, a burocracia faz seu show particular: cada gestão que entra resolve recomeçar do zero, como se fosse proibido dar continuidade ao que já estava pronto. E assim vamos perdendo tempo, dinheiro e oportunidades. É impressionante como um projeto tão claro consegue ser tão ignorado.

O resultado está aí, para quem quiser ver: trilhas deterioradas, acesso limitado, estrutura precária, incêndios recorrentes, falta de segurança adequada e uma visitação muito abaixo do que um atrativo desse tamanho deveria ter.

E o mais doído: o potencial continua enorme, mas parado.

Sabe aquela história de que “Barra do Garças tem tudo para bombar no turismo”? Tem mesmo. Só não tem coragem política, união e compromisso de longo prazo. A Serra Azul poderia estar hoje entre os destinos mais organizados da região. Poderia gerar empregos, movimentar a economia e colocar a cidade num patamar diferente.

Mas não está. Porque faltou prioridade.

E não adianta dizer que é falta de dinheiro. Falta é gestão — da séria, contínua e responsável. O tipo de gestão que assume um projeto e leva até o fim, em vez de inventar moda a cada mudança de gabinete.

Então fica aqui a provocação:
vamos continuar fingindo que não sabemos o que precisa ser feito?
Ou vamos, finalmente, tratar a Serra Azul como patrimônio e não como enfeite de foto?

A cidade precisa decidir se quer ficar mais uma década no “quase” ou se vai dar o passo que deveria ter dado lá atrás. O Projeto Serra Azul não é passado — é o futuro que estamos adiando por teimosia.

E adiar, convenhamos, tem sido o nosso erro mais caro.

 

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