Quando a tradição sai das ruas, o brilho muda de lugar

Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com

A Corrida de Reis sempre foi mais do que uma prova de atletismo. Para Cuiabá, Várzea Grande e para todo Mato Grosso, ela representa rito, identidade e pertencimento. É o povo na calçada, o aplauso espontâneo, o incentivo que empurra o atleta quando as pernas já não respondem. Em 2026, porém, a Corrida de Reis mudou de cenário e, com isso, mudou também de alma.

Transferida de forma inédita para o Parque Novo Mato Grosso, a 41ª edição da prova até tentou manter o peso simbólico de abrir o calendário esportivo do estado. Mas a sensação geral, compartilhada por atletas, público e até entidades de corredores, foi clara: a corrida perdeu o charme ao abandonar as ruas. O calor extremo, a falta de sombra, os longos deslocamentos, os congestionamentos e a ausência do tradicional corredor humano de incentivo transformaram o que era festa em um teste de resistência além do esperado. Para muitos, beirou o desastre.

As críticas foram duras e vieram de todos os lados. Não por acaso, a organização já confirmou o retorno ao percurso urbano em 2027. A Corrida de Reis nasceu para ser corrida na cidade, com a cidade, e não isolada em um espaço ainda em obras, distante do cotidiano do povo que sempre fez parte do espetáculo.

Mas, em meio a um cenário controverso, Barra do Garças teve motivos de sobra para se orgulhar.

O atleta Jânio Marcos Gonçalves Varjão, filho da terra, conquistou um honroso quinto lugar, competindo entre nomes nacionais e internacionais de alto nível. Um resultado gigante, que projeta não só o atleta, mas também o trabalho sério desenvolvido no atletismo barra-garcense, ligado diretamente ao projeto conduzido pelo Professor Sivirino. Não é pouca coisa. É Barra do Garças figurando entre os melhores do estado e do país.

E falando em Sivirino, a Corrida de Reis de 2026 também acabou sendo um palco inesperado e altamente favorável para o vice-prefeito de Barra do Garças e prefeito em exercício. Atuando como comentarista da TV Centro América, Sivirino teve participação ativa durante a transmissão, com entradas ao vivo no jornal local e no Globo Esporte, da TV Globo Cuiabá. Uma vitrine poderosa.

Com desenvoltura, linguagem acessível e autoridade de quem entende de esporte e gestão pública, Sivirino se destacou. Teve uma exposição positiva, natural e muito satisfatória, daquelas que não se compram, se constroem. Para quem acompanha os bastidores da política e da comunicação, ficou evidente que foi um ganho institucional e pessoal relevante, projetando Barra do Garças para além da pista.

No fim das contas, a Corrida de Reis de 2026 deixa lições. Mostra que tradição não se improvisa e que grandes eventos precisam respeitar sua história e seu público. Mas também prova que, mesmo quando o cenário não ajuda, o talento dos atletas e a competência de lideranças bem preparadas conseguem brilhar.

Que em 2027 a Corrida volte às ruas e que Barra do Garças siga chegando forte, seja no pódio, seja nos holofotes.

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