Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com
Por mais que o discurso oficial tente separar gestão pública de projeto eleitoral, a política real raramente permite essa dissociação completa. Em Mato Grosso, esse limite começa a ficar cada vez mais tênue com a pré-candidatura do secretário de Estado de Educação, Alan Porto, a deputado estadual.
Gestor técnico, com forte respaldo do governador Mauro Mendes e do vice-governador Otaviano Pivetta, Alan Porto chega ao tabuleiro eleitoral munido de um ativo poderoso: entregas concretas. Obras, reformas, ampliações e reestruturações de escolas em todas as regiões do Estado, incluindo Barra do Garças, colocam seu nome em evidência e o transformam, desde já, em um nome competitivo para a Assembleia Legislativa.
A visita recente ao CMEB João Gomes de Castro “João Dourado”, o antigo Dom José Selva, é emblemática. Um prédio que simbolizava abandono virou escola viva, pulsante, com mais de 400 crianças matriculadas, no coração de um bairro tradicional da cidade. Não se trata apenas de tijolo, cimento e pintura nova. Trata-se de política pública que chegou onde, por muito tempo, só havia promessa.
O reconhecimento público feito pelo prefeito Dr. Adilson e pelo vice-prefeito Professor Sivirino, não foi protocolar. Foi político. Ao agradecer ao secretário Alan Porto, ao governo do Estado e destacar a parceria entre Município e Estado, a fala revela um alinhamento institucional que gera resultados e votos.
E é exatamente aí que mora o dilema de Barra do Garças.
Alan Porto pode, sim, sair vitorioso das urnas. Tem estrutura, tem vitrine, tem o respaldo do Palácio Paiaguás e tem discurso ancorado em entregas. Mas, enquanto o secretário avança no cenário estadual, a cidade corre o risco de repetir um velho roteiro: mais uma eleição sem eleger um deputado estadual genuinamente barra-garcense.
O problema não é Alan Porto ser candidato. Pelo contrário. Sua eventual eleição pode fortalecer o eixo Barra do Garças–Cuiabá, garantir portas abertas e manter investimentos fluindo. O problema é a fragilidade histórica da representação política local, que insiste em se fragmentar, se dividir e perder espaço.
Barra do Garças vive hoje um momento raro de estabilidade administrativa. Os investimentos são visíveis na infraestrutura, na saúde, na educação e na ação social. Há método, planejamento e, sobretudo, uma percepção clara de mudança em relação ao passado. Isso não acontece por acaso. A cidade deixou de ser coadjuvante e passou a dialogar de igual para igual com o governo estadual.
A pergunta que fica não é se Alan Porto tem chance de ganhar. Ele tem. A pergunta é se Barra do Garças terá maturidade política para transformar esse bom momento administrativo em força eleitoral própria ou se, mais uma vez, ficará dependente de representantes externos.
Na política, obras constroem escolas. Votos constroem mandatos. E representatividade constrói futuro. O tempo está correndo, e a conta, como sempre, será paga nas urnas.






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