Por: Eduardo Oliveira
Na noite do dia 27 de janeiro, o turismo de Barra do Garças entrou em pauta de forma direta e sem maquiagem. Representantes do poder público, empresários, guias de turismo e membros da sociedade civil se reuniram no BNI Vale do Araguaia para discutir o Diagnóstico Estratégico do Turismo, colocando sobre a mesa os problemas que, há anos, travam o crescimento do setor no município.
Durante a reunião, um ponto ficou evidente: a falta de normatização é hoje o maior entrave para o turismo local. Sem regras claras, muitos produtos turísticos acabam funcionando de forma irregular, o que gera insegurança jurídica, dificuldades para quem quer trabalhar corretamente e ainda prejudica a imagem de Barra do Garças como destino turístico.
Também foi bastante debatida a ausência de fiscalização efetiva e a existência de empreendimentos operando sem licenças ou autorizações. Segundo os participantes, essa realidade não acontece por má-fé na maioria dos casos, mas pela falta de orientação técnica e de processos claros para a regularização das atividades.
Outro problema apontado foi a escassez de dados confiáveis sobre o turismo. Hoje, o município não dispõe de informações consolidadas sobre fluxo de visitantes, impacto econômico ou número real de empreendimentos ativos, o que dificulta o planejamento e a busca por recursos. Nesse cenário, os guias de turismo foram reconhecidos como quem mais conhece, na prática, a realidade do setor, embora esse conhecimento ainda seja pouco aproveitado na construção das políticas públicas.
No campo institucional, a Secretaria Municipal de Turismo informou que está trabalhando na regularização do Fundo Municipal de Turismo (FUNTUR), considerado fundamental para viabilizar ações e investimentos. Experiências bem-sucedidas de destinos como Bonito (MS) e Porto Seguro (BA) foram citadas como referência, especialmente pelo papel dos Conventions & Visitors Bureau na organização do turismo.
Dentro desse contexto, ganhou força a proposta de reativar o Araguaia Convention & Visitors Bureau, visto pelos participantes como uma peça-chave para aproximar poder público e iniciativa privada, fortalecer a governança e dar mais organização ao setor.
Ao final da reunião, foram definidas prioridades claras: normatizar o turismo, regularizar as atividades, fortalecer a fiscalização, criar uma base de dados do setor, incentivar o Cadastur e retomar o Convention.
O sentimento que ficou foi de consenso e realidade: Barra do Garças já sabe o que precisa ser feito. Agora, o avanço do turismo depende de liderança, organização institucional e, principalmente, união entre poder público, empresários e sociedade.







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