Operação Carne Fraca: importância da fiscalização

“Quanto menos as pessoas souberem como são feitas as leis e as salsichas melhor elas dormirão” (Otto Von Bismarck -1815-1898).

Esta frase famosa de Bismarck não tem mais sentido nos dias de hoje. A sociedade tem que saber os processos que resultam em produtos que afetam nossas vidas. As mídias sociais, nos últimos dias, trouxeram vídeos e manifestações que causam repulsa, relacionadas ao preparo de embutidos e carnes deterioradas, com irregularidades. Neste universo “turvo” são criados monstros.

A transparência é fundamental em todos os procedimentos da sociedade. A operação Carne Fraca mostrou irregularidades graves, em alguns elos da produção de carnes no país e virou manchete nos veículos de comunicação do Brasil e exterior. Pode contribuir para o aprimoramento dos processos, mas também comprometer a imagem e reputação do agro brasileiro. E, como consequência, prejudicar nossa economia.

Aparentemente tudo começou com uma denuncia de um Auditor Fiscal Federal Agropecuário do Paraná. Foram dois anos de investigações. Foram citados casos pontuais de carnes vencidas, “maquiadas” e contaminadas. Das 4837 unidades frigoríficas do Brasil, 21 apresentaram irregularidades e três foram interditadas. De 11.000 fiscais e agentes de inspeção agropecuários, 33 foram afastados por possível envolvimento com propinas e corrupção.

Para segurança dos consumidores, a apuração destes casos deve ser rápida, rigorosa e transparente. Só assim vai haver menos danos à imagem, reputação e credibilidade nos alimentos produzidos no Brasil, em especial nas carnes bovinas, de frango e suína.

As boas práticas de produção e industrialização são fundamentais. Para isto são preparados profissionais competentes e éticos. Entretanto, a fiscalização deve atuar de forma a garantir a qualidade dos produtos colocados à disposição dos consumidores.

 Entre as diversas ações de fiscalização e inspeção, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), executa o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC) através da Secretaria de Defesa Agropecuária. Nos produtos de origem animal são analisadas, periodicamente, amostras representativas de carnes (bovina, ave, suína, caprina, ovina, equina, coelho, leite, pescado, mel e ovos). As análises são realizadas em laboratórios oficiais e credenciados. São pesquisadas diversas substâncias, microrganismos e toxinas: antimicrobianos, sedativos/tranquilizantes, antiparasitários, anticoccidianos, micotoxinas, contaminantes inorgânicos, substâncias de ação anabolizante hormonais, betagonistas, anti-inflamatórios, organoclorados, dioxinas, furanos, organofosforados,  piretróides, pirazóis e carbamatos.

 É fundamental que a fiscalização seja cada vez mais aprimorada e reconhecida. Há necessidade constante de atualizações das regulamentações e procedimentos. As instituições de ensino devem valorizar estes conteúdos em seus currículos e os profissionais que atuam em pesquisa, ensino, extensão e produção podem contribuir com o aperfeiçoamento e eficiência da fiscalização. Medidas firmes e rápidas devem ser tomadas pela Secretaria de Defesa Agropecuária (DAS) do MAPA, demonstrando  seu comprometimento com a segurança alimentar e na punição dos culpados.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS no Facebook: http://www.facebook.com/agriculturasustentavel.

Por José Otavio Menten, Diretor Financeiro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Vice-Presidente da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS), Eng. Agrônomo, Mestre e Doutor em Agronomia, Pós-Doutorados em Manejo de Pragas e Biotecnologia, Professor Associado da ESALQ/USP.

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