As manifestações e a vontade do povo

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

A baixa adesão às manifestações convocadas para o domingo, 26 de março, mostra que a população não quer ser usada como massa de manobra de grupos que buscam objetivos políticos e podem estar atuando na defesa ou ataque e a serviço de alguém – pessoa ou partido – rumo às próximas eleições. Aquele 1,4 milhão de pessoas que compareceu ao ato pelo impeachment de Dilma Rousseff, ficou reduzido a 10 mil pessoas pelo apoio à Lava Jato, contra o foro privilegiado e outras bandeiras agora agitadas. Fica claro que a convocação foi precipitada e a população está mais preocupada com os próprios problemas do que com as teses gerais e, principalmente, em apoiar as instituições para que estas cumpram suas obrigações.

Ao contrário do momento em que todos queriam a destituição de Dilma Rousseff, hoje os brasileiros querem que, como entidades consolidadas e respeitadas que são, a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal cumpram estritamente suas missões não só na Operação Lava Jato, mas em tudo o que for de sua alçada. Da mesma forma, esperam que o governo reative a economia, faça as reformas e, principalmente, não seja insensível ao ponto de penalizar o povo através da retirada de direitos adquiridos. Aspiram, ainda, que os políticos atuem com decência e responsabilidade e que, se não o fizerem, as instâncias do poder sejam capazes de puni-los e restituir o império da dignidade, da ordem e da lei. Convocar a força da manifestação popular deve ser algo extremo, guardado para os momentos críticos, quando tudo estiver fora de perspectiva. Ainda mais: a história atesta que quando esse momento chega, o próprio povo se manifesta, sem a necessidade de chamamento.

Os diferentes movimentos reivindicatórios precisam tirar lições desse 26 de março. Diferente do que muitos podem pensar, o povo não é manipulável e, quando não vê motivos, simplesmente não comparece. As autoridades também devem ficar atentas para o cumprimento de sua obrigação de garantir ao cidadão o seu direito de ir e vir e o acesso aos diferentes pontos da cidade, especialmente aos serviços de saúde e emergência. Aproveitando a demonstração de que a população, legítima dona de tudo, não quer atos e manifestações, impedir e aplicar os rigores da lei sobre aqueles que insistem em interromper vias públicas e caotizar a vida da cidade sob o pretexto de divulgar e afirmar suas teses. O direito à livre manifestação é constitucional, mas não pode esbarrar no direito de mobilidade da população ou desrespeitar a propriedade alheia. Sempre que isso acontece, é caso de polícia e justiça e não pode ser perdoado…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

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