O carnaval do coronavirus

Pelo calendário, já vivemos o tempo do carnaval. O costume brasileiro nos levou a realizar o primeiro baile na noite de sexta-feira e seguir com os demais no sábado, domingo, segunda e terça, com a folia invadindo a madrugada da quarta-feira de cinzas. Há quem diga que  dois anos atrás foi essa aglomeração que potencializou a chegada e alastramento do coronavirus que – até agora já eliminou a vida de 647.486 brasileiros e plantou sequelas em milhares de outros. Mesmo com a pandemia em viés de baixa, as autoridades tiveram o bom senso de suspender o carnaval de 2022. Muitas localidades deixaram de programar os desfiles e os bailes e aquelas que têm a festa popular em maior escala – inclusive como geração de renda na economia – adiaram-na para o fim de abril.

            Tivemos nesse começo de ano um novo avanço de infecção, internação e óbitos decorrentes da Covid-19. Foi isso que deu força a governadores e prefeitos e até aos dirigentes de entidades carnavalescas para decidir pela não realização da festa na virada de fevereiro para março. Mas os feriados e pontos facultativos foram mantidos. A população não perde os dias de descanso proporcionados pelo carnaval. Mas é importante observar que ainda estamos em crise sanitária e vigoram as restrições à aproximação física com as pessoas, à aglomeração e aos eventos de grande público. Também devemos, no interesse próprio, manter o cuidado de lavar as mãos com água e sabão ou álcool gel sempre que elas tiverem contato com superfícies ou objetos que possam estar servindo de hospedeiro do vírus. As mãos, advertem os especialistas, são o grande veículo que trazem o coronavirus de balcões, objetos ou de outras pessoas para a nossa boca e olhos, principais pontos de entrada ao nosso organismo.

            A situação positiva de hoje quanto à doença – é bom lembrar – deve ser atribuída à vacinação. Com 80% da população imunizada – uma parcela com três doses e já à espera da quarta – fica mais difícil para o vírus circular entre os indivíduos. Apesar de todas as divergências e polêmicas pelo fato da vacina ainda não estar pronta e acabada no ponto de vista científico, é preciso compreender que ela é a grande proporcionadora do momento de esperança de hoje quanto ao fim da tormenta. Especialistas dizem que a maioria dos atuais internados e dos mortos recentes pela Covid no Brasil é composta por não vacinados e idosos com comorbidades graves. Logo, quem hoje ainda não se vacinou ou deixou de tomar a segunda e terceira doses, deve procurar os postos de vacinação e regularizar sua situação, no interesse da própria vida. Em vez de defender uma boa tese sobre a vacina, o melhor é utilizá-la para continuar vivo.

            Seguindo o tradicional hábito, as praias deverão ficar lotadas nos dias do carnaval. Quem optar por esse tipo de lazer e descanso, não esqueça da recomendação para se proteger e, dessa forma, continuar gozando de boa saúde. Evitar que, por falta de cuidados, um grande número de pessoas bata às portas dos hospitais nos próximos dias e repotencializem  os números da pandemia. É com base nele que as autoridades sanitárias fazem as políticas públicas e, inclusive, decidem sobre restrições de circulação, trabalho e economia. Tudo o que pudermos fazer para não piorar o quadro, é o indicado. Vamos descansar, nos divertir e, também, manter a saúde…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 
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