Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com
Daqui a algumas horas, às 19h, o Brasil entra em campo para enfrentar a Escócia no último jogo da fase de grupos da maior Copa do Mundo da história, realizada simultaneamente nos Estados Unidos, Canadá e México.
Enquanto escrevo estas linhas, são 15h42 de uma quarta-feira. Não sei qual será o resultado da partida. Não sei se a Seleção Brasileira confirmará a classificação para os 16 avos de final ou se viverá mais uma decepção. Quando este artigo chegar às mãos dos leitores, na sexta-feira, vocês já conhecerão a resposta. Eu, neste momento, ainda não.
Mas talvez o resultado seja apenas uma parte da história.
Na época da faculdade de Jornalismo, escrevi um artigo que tinha um título provocativo: “Bandeira do Brasil ou da CBF?”. A proposta era simples: provocar um debate sobre qual símbolo realmente representava a paixão do torcedor durante uma Copa do Mundo.
Quando alguém veste uma camisa amarela, pinta o rosto de verde e amarelo, coloca uma bandeira na janela ou buzina pelas ruas após uma vitória, está comemorando o Brasil ou está apoiando a Confederação Brasileira de Futebol?
A pergunta continua atual.
Porque a Copa do Mundo é um fenômeno que vai muito além das quatro linhas. Ela transforma o cotidiano do país. As lojas reforçam os estoques de televisores, famílias decidem trocar a velha TV para assistir aos jogos em alta definição, supermercados registram aumento nas vendas para o tradicional churrasco entre amigos, os grupos de WhatsApp fervem com palpites, surgem os famosos bolões no trabalho, nas repartições públicas, entre vizinhos e familiares. Durante algumas semanas, o futebol se torna uma linguagem comum.
É um evento capaz de interromper reuniões, alterar horários de expediente, lotar bares e reunir pessoas que, muitas vezes, passam meses sem se encontrar.
Talvez esse seja o verdadeiro poder da Copa.
Independentemente das críticas que possam existir sobre dirigentes, administração do futebol ou interesses comerciais, a Seleção Brasileira continua despertando algo que poucas instituições conseguem provocar: um sentimento coletivo.
É curioso perceber que, em tempos de tantas divisões, a camisa amarela ainda consegue reunir diferentes gerações diante da televisão. Crianças, pais, avós e amigos compartilham emoções que não cabem em estatísticas.
Mas a provocação permanece.
Quando levantamos uma bandeira durante a Copa, ela representa a nação brasileira, sua cultura, seu povo e sua identidade? Ou representa apenas a estrutura administrativa do futebol nacional?
Não existe resposta única.
Cada torcedor encontrará a sua.
Talvez alguns estejam torcendo apenas pelos jogadores. Outros, pela história construída por Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo e tantos outros. Há quem simplesmente queira viver o momento, esquecer as dificuldades do cotidiano e celebrar noventa minutos de esperança.
E isso também faz parte da essência do esporte.
Quando escrevi “Bandeira do Brasil ou da CBF?” anos atrás, queria apenas iniciar uma conversa. Hoje, essa conversa continua tão necessária quanto antes.
Porque a Copa passa. Os campeões mudam. Os técnicos trocam. Os dirigentes também.
Mas o sentimento que faz milhões de brasileiros pararem diante de uma televisão para acompanhar a Seleção continua sendo um dos maiores patrimônios culturais deste país.
Se o Brasil estará classificado quando você terminar de ler este texto, eu ainda não sei.
O que sei é que, mais uma vez, a Copa conseguiu fazer o país conversar sobre futebol, reunir amigos, movimentar a economia, fortalecer tradições e lembrar que, por alguns dias, um simples jogo é capaz de unir um país inteiro.
E talvez essa seja a maior vitória de todas.






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