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O 9 de Julho e o Brasil de hoje

Vivemos, em São Paulo, mais um fim de semana estendido. Paramos o trabalho mais cedo na sexta-feira para ver o jogo da seleção com a Bélgica e, na segunda, teremos o feriado de 9 de julho, que homenageia a Revolução Constitucionalista de 1932. Há 86 anos, os paulistas pegaram em armas contra a ditadura instalada no país, exigindo uma nova Constituição e o respeito ao império da lei. Mesmo vencidos militarmente – até porque não receberam o apoio prometido por outras unidades da federação – ainda restaram com motivo para comemorar, pois a carta magna que reclamavam foi colocada em vigor em 1934 e no seu bojo a reforma eleitoral com os votos secreto e feminino e os primeiros itens da legislação trabalhista. É bem verdade que aquela Constituição durou pouco porque no ano seguinte Getúlio Vargas decretou estado de sítio e em 37 deu o chamado Golpe do Estado Novo, pelo qual governou como ditador até 1945.

Ao longo dessas oito décadas, muita coisa mudou. Passamos de país eminentemente agrícola para industrializado com agronegócio forte. As comunicações, que eram precárias, hoje são imediatas. Foram dois regimes autoritários – o de Vargas o dos militares de 64 – e duas democracias, que vigoraram de 46 a 64 e de 85 até hoje. Temos um grande país, com economia diversificada e forte, mas ainda padecemos a falta de definição institucional e de sustentabilidade político-administrativa. Os escândalos que bombardeiam a nação diuturnamente são provas disso.

 Precisamos, urgentemente, encontrar caminhos que nos levem à sustentabilidade política, administrativa e governamental. O velho estigma de direita e esquerda ainda ronda, mas não seduz o povo como antigamente. O grande problema é que o povo, escandalizado com as mazelas, se diz descente e aponta majoritariamente para a abstenção e os votos nulo e branco nas eleições. Urge que candidatos, partidos e forças institucionais se empenhem para vencer a apatia e a repulsa popular. Convençam o eleitor de que quem não participa por não gostar, vai ser governado pelos que gostam de política. E tirem da cabeça as idéias de intervenção militar ou de qualquer tipo de tomada do poder pela força. Quem conhece a motivação, os antecedentes  e as consequências que levaram ao feriado de 9 de julho, sabe muito bem disso. A democracia, por mais confusa que seja, ainda é melhor do que qualquer aventura autoritária…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

aspomilpm@terra.com.br    

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