Portões abertos geram confiança

Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com

Durante muitos anos, a Friboi esteve no centro de debates em Barra do Garças. Em diferentes momentos, moradores manifestaram preocupação com o forte odor nas proximidades da unidade industrial e levantaram questionamentos sobre seus impactos ambientais. Agora, o tema volta ao debate público, desta vez com um novo pedido para que haja uma visita técnica às instalações da empresa.

Ao ler essa notícia, imediatamente me recordei de um episódio que vivi como jornalista.

Na época em que trabalhei na Câmara Municipal, acompanhei uma visita organizada justamente em razão das reclamações sobre o forte cheiro que atingia bairros vizinhos. Fui até a empresa para realizar a cobertura jornalística daquele momento, mas fui impedido de entrar. O acesso foi permitido apenas às autoridades presentes e a alguns moradores da vizinhança.

Naquele dia, não questionei o direito da empresa de controlar quem entra ou sai de suas dependências. Trata-se de uma propriedade privada e existem protocolos internos que precisam ser respeitados. No entanto, como jornalista, fiquei com a sensação de que a transparência poderia ter sido maior.

A imprensa exerce um papel diferente. Ela não substitui órgãos de fiscalização, tampouco produz laudos técnicos. Sua missão é registrar os fatos, ouvir os diferentes lados e permitir que a sociedade acompanhe temas que afetam diretamente a vida da população.

Quando assuntos ambientais entram em pauta, quanto mais informação estiver disponível, menor será o espaço para rumores, desconfianças e especulações.

Empresas de grande porte convivem diariamente com o desafio de manter uma boa relação com a comunidade onde estão instaladas. Essa relação não se constrói apenas por meio da geração de empregos ou dos investimentos econômicos. Ela também depende da confiança.

E confiança nasce da transparência.

Se os processos industriais seguem rigorosamente as normas ambientais, abrir espaço para que essas informações sejam conhecidas tende a fortalecer a credibilidade da empresa. Mostrar como funciona o tratamento de efluentes, a destinação de resíduos e os mecanismos de controle ambiental pode ser mais eficiente do que responder a críticas apenas quando elas surgem.

O episódio que vivi ficou no passado. Mas ele reforça uma reflexão que continua atual: sempre que houver interesse público envolvido, transparência não deve ser vista como obrigação incômoda, mas como uma oportunidade de aproximar empresa e comunidade.

Portões fechados alimentam dúvidas.

Portões abertos, acompanhados de informação e diálogo, ajudam a construir confiança.

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