Benier Marcos Silva e outro diretor da agência foram afastados por decisão judicial; cinco vereadores tiveram pedidos de prisão e afastamento dos mandatos negados pela Justiça
Da Redação | A Gazeta do Vale do Araguaia
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (3), em Barra do Garças, a Operação Mesa Vazia, que investiga um suposto esquema de desvio de aproximadamente 13 mil cestas básicas e kits de higiene e limpeza destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social por meio do programa SER Família Solidário.
Entre as principais medidas determinadas pela Justiça está o afastamento cautelar, pelo período de 90 dias, do diretor da Agência de Regulação e Fiscalização (AGIRF), Benier Marcos Silva, além do também diretor Renato de Souza Soares, conhecido como Renatinho. Ambos são investigados pela Polícia Civil, mas tiveram os pedidos de prisão preventiva negados pelo Poder Judiciário.
Ao todo, foram cumpridas 47 medidas cautelares, incluindo mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos telefônico e telemático, acesso a dados armazenados em nuvem e apreensão de equipamentos eletrônicos que poderão auxiliar no avanço das investigações.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações apontam indícios da prática dos crimes de peculato-desvio, associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso. A suspeita é de que parte das cargas de alimentos e kits de higiene, que deveriam seguir o fluxo oficial da assistência social, tenha sido desviada para um sistema paralelo de distribuição, sem qualquer controle institucional ou prestação de contas.
Os investigadores estimam que cerca de 13 mil cestas básicas e kits de higiene tenham sido retirados da finalidade pública, provocando prejuízo financeiro estimado em R$ 1,95 milhão, além do impacto social causado às famílias que aguardavam o recebimento dos benefícios.
Segundo a apuração, o esquema utilizaria um modelo de distribuição paralelo, com armazenamento das cargas em imóveis particulares, chácaras e sedes de associações, utilizando documentação considerada suspeita e representantes sem legitimidade formal para justificar a movimentação dos produtos.
Na mesma decisão, a Justiça negou os pedidos de prisão preventiva dos vereadores Valdeí Leite Guimarães (Pebinha), Adilson Tavares Lopes, Allankley Lopes de Souza (Alan Construtor), Armando José de Brito e Elton Melo. Também foram rejeitados os pedidos de afastamento cautelar dos parlamentares dos respectivos mandatos.
Embora tenha reconhecido a gravidade dos fatos apresentados pela investigação, o magistrado entendeu que, neste momento, não estavam presentes os requisitos legais para decretar prisões preventivas, optando por medidas cautelares consideradas suficientes para garantir a preservação das provas e o andamento da investigação.
A decisão judicial também autoriza a extração integral de dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos, incluindo mensagens, registros de localização, documentos, arquivos apagados e informações armazenadas em serviços de nuvem, permitindo ainda o compartilhamento das provas com outras investigações relacionadas aos fatos.
Batizada de Operação Mesa Vazia, a ação faz referência ao impacto causado pelo suposto desvio de alimentos destinados às famílias mais vulneráveis, simbolizando a ausência de itens essenciais na mesa de quem dependia da política pública de assistência social.
A operação mobilizou aproximadamente 90 policiais civis das Regionais de Barra do Garças e Água Boa, com apoio da Politec, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e da Secretaria Municipal de Assistência Social.
As investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos, esclarecer a destinação final das cestas básicas e dos kits de higiene e verificar a existência de possíveis fraudes documentais e ocultação de provas.
Até o momento, os investigados não foram condenados, e o caso segue sob apuração da Polícia Civil e acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Tido como “menino de ouro” do ex governador Mauro Mendes e da Primeira Dama Virgínia Mendes e representante do Presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso Deputado Max Russi na Grande Barra Benier Marcos Silva está envolvido em suposto desvio de cestas básicas e Kits de higiene do Programa Ser Família Solidário.







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