Operação Mesa Vazia expõe suposto esquema milionário de desvio de cestas básicas em Barra do Garças
Investigação aponta prejuízo estimado em R$ 1,95 milhão aos cofres públicos; Polícia Civil pediu a prisão de investigados, Ministério Público concordou, mas Justiça negou as prisões. Vereadores citados divulgaram notas negando irregularidades e defesa afirma que provará a inocência dos envolvidos.
Da Redação
A Operação Mesa Vazia, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso, colocou Barra do Garças no centro de uma das maiores investigações envolvendo recursos destinados à assistência social no município. O inquérito apura o suposto desvio de aproximadamente 13 mil cestas básicas e kits de higiene e limpeza do Programa SER Família Solidário, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), destinados a famílias em situação de vulnerabilidade.
Segundo a investigação, o prejuízo estimado chega a R$ 1,95 milhão. De acordo com a Polícia Civil, parte das cargas que deveria seguir o fluxo oficial de distribuição teria sido desviada para um sistema paralelo, sem controle institucional e sem prestação de contas.
Na sexta-feira (3), cerca de 90 policiais civis das Regionais de Barra do Garças e Água Boa cumpriram 47 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo telefônico e de dados, afastamentos cautelares de função pública e outras medidas determinadas pela Justiça para preservar provas e aprofundar as investigações.
A apuração aponta indícios da prática dos crimes de peculato-desvio, associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso.
Cinco vereadores estão entre os investigados
Entre os alvos da operação estão os vereadores Valdeí Leite Guimarães (Pebinha), Adilson Tavares Lopes (Adilson da Saúde), Allankley Lopes de Souza (Alan Construtor), Armando José de Brito (Armando da ASPM) e Elton Melo.
Também são investigados os servidores da Agência Municipal de Regulação e Fiscalização (AGIRF), Benier Marcos Silva e Renato de Souza Soares, conhecido como Renatinho, apontados pela Polícia Civil como integrantes do núcleo central da suposta organização.
Ainda figuram entre os investigados Juliana da Silva Mattos, Frank da Silva, Valdeci de Souza Gomes, Neuraci Lisboa Sousa França e outras pessoas ligadas às entidades utilizadas, segundo a investigação, para operacionalizar o esquema.
Conforme a representação da Polícia Civil, a organização investigada seria dividida em cinco núcleos responsáveis pela coordenação, logística, documentação, apoio por meio de associações e armazenamento das cargas.
Como o esquema funcionaria
Segundo a investigação, as cargas eram retiradas dos centros oficiais de distribuição, principalmente em Cuiabá, mas, em vez de seguirem para órgãos públicos e entidades credenciadas, eram descarregadas em imóveis particulares, chácaras e sedes de associações.
A Polícia Civil afirma que os produtos eram posteriormente redistribuídos sem controle institucional, utilizando documentos considerados suspeitos, representantes sem legitimidade formal e estruturas paralelas de entrega.
As diligências também apuram divergências entre documentos oficiais de entrega e a quantidade efetivamente recebida pelas entidades beneficiárias.
Prisões foram negadas pela Justiça
Durante a investigação, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva dos investigados. O pedido recebeu parecer favorável do Ministério Público Estadual.
Entretanto, ao analisar o caso, o juiz Luís Felipe de Lara Souza entendeu que, embora existam indícios suficientes para a continuidade das investigações e a adoção de medidas cautelares, não ficaram demonstrados os requisitos legais necessários para a decretação das prisões preventivas.
Na mesma decisão, o magistrado também negou o pedido de afastamento dos vereadores de seus mandatos.
Por outro lado, determinou o afastamento cautelar, por 90 dias, dos servidores Benier Marcos Silva e Renato de Souza Soares das funções exercidas na AGIRF, além de autorizar buscas e apreensões, quebras de sigilos e outras medidas cautelares.
Vereadores divulgam notas
Após a deflagração da operação, os vereadores investigados divulgaram notas públicas de esclarecimento.
Nos comunicados, os parlamentares negam qualquer participação em irregularidades, afirmam que sempre atuaram dentro da legalidade e manifestam confiança de que a investigação comprovará suas inocências.
Em comum, os vereadores afirmam permanecer à disposição da Polícia Civil, do Ministério Público e da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Defesa sustenta inocência
O advogado que representa parte dos investigados também se manifestou publicamente.
Segundo a defesa, não existem elementos suficientes para justificar as prisões preventivas, entendimento que, conforme destaca, foi reconhecido pelo próprio Poder Judiciário ao negar os pedidos formulados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.
O advogado afirma ainda que seus clientes colaborarão integralmente com as investigações e que a inocência será demonstrada durante o andamento do processo.
Investigação continua
A Polícia Civil informou que a Operação Mesa Vazia ainda está em andamento e que novas diligências poderão ser realizadas conforme o avanço da investigação.
O material apreendido durante o cumprimento dos mandados será analisado para identificar eventual participação de outras pessoas e esclarecer toda a dinâmica do suposto esquema.
Até eventual condenação definitiva, todos os investigados são considerados inocentes, conforme estabelece o princípio constitucional da presunção de inocência.

Tido como “menino de ouro” do ex-governador Mauro Mendes e da Primeira Dama Virgínia Mendes e representante do Presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso Deputado Max Russi na Grande Barra Benier Marcos Silva está envolvido em suposto desvio de cestas básicas e Kits de higiene do Programa Ser Família Solidário.

Carga de cestas básicas e kits do Programa SER Família Solidário que, segundo a Polícia Civil, foi desviada em um suposto esquema — Fotos: Reprodução








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