Exaltar a face cordial da Economia

José de Paiva Netto

Reflexão de Boa Vontade — Por Paiva Netto*

 A sabedoria das mulheres na administração dos bens planetários foi a temática central de meu artigo publicado na BOA VONTADE Mulher, revista especial que a Legião da Boa Vontade (LBV) lançou, nos idiomas português, inglês, francês e espanhol, durante a 61a sessão da Comissão sobre a Situação das Mulheres (CSW, na sigla em inglês), realizada em março deste ano na sede das Nações Unidas. A seguir, transcrevo um trecho do referido texto:

Um caminho econômico em que todos saiam ganhando não é pensamento nefelibata. Sempre um bom termo pode surgir quando os indivíduos nele lealmente se empenham. Reflitamos sobre este ilustrativo aforismo do padre português Manuel Bernardes (1644-1710), autor de Pão partido em pequeninos: “Com bom regulamento pode até o pouco bastar para muitos; sem ele, nem a poucos alcança o muito. Todo excesso, nos particulares, causa, no comum, penúria. De dois que estão no mesmo leito, se um puxa muito a coberta para si, é forçoso que o outro fique descoberto”.

De maneira alguma estou propondo que as migalhas que caem das mesas fartas sejam a base da existência dos que vivem na miséria. Não falo de sobras; porém, da consciência honesta que não pode eternamente admitir que o seu bem-estar permaneça estabelecido sobre a fome dos deserdados. Isso é Evangelho puro de Jesus; é a essência da mensagem dos Livros Sagrados e da Regra de Ouro* das mais diversas culturas; é a voz de tantos notáveis, religiosos ou ateus, que não podem conceber que, no terceiro milênio, ainda haja populações submetidas à pobreza num planeta construído pela Bondade de Deus.

Há algo errado com a economia vigente: ao lado de sua face racional, tem de se dispor a cordial, isto é, a inteligência do coração. Em oportunidade não muito distante — esperamos que assim seja —, os corifeus do capitalismo, que sempre se destacaram pelo espírito “pragmático”, irão perceber que a mundialização derrubará todas as espécies de barreiras que lhes serviam de anteparo.

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* Regra de Ouro — Também conhecida como “A ética da reciprocidade” ou “regra áurea”. Trata-se da máxima ou princípio moral de determinada crença ou filosofia, comum a todos as demais: “Fazei aos outros tudo quanto quereis que vos façam”.

* José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

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