Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com
Mesmo com a promessa de redução nos preços da gasolina após aumento da mistura de etanol, postos em Barra do Garças sobem R$ 0,50 antes de uma queda tímida. Onde estão os vereadores, o Procon e os órgãos de fiscalização?
Barra do Garças, agosto de 2025. O Brasil amanheceu no dia 1º deste mês com uma promessa no tanque: a gasolina com mais etanol — a chamada Gasolina E30 — chegaria para aliviar o bolso do consumidor. O governo federal anunciou que o aumento da mistura de etanol anidro de 27% para 30% na gasolina teria como resultado uma queda de até R$ 0,20 por litro nas bombas. Seria a primeira boa notícia em muito tempo para quem depende do carro no dia a dia.
Mas o que aconteceu em Barra do Garças? Simples: os postos aumentaram primeiro R$ 0,50, para depois “concederem” uma queda de apenas R$ 0,20. Um teatro ensaiado e repetido, uma coreografia sincronizada entre as bombas da cidade. O consumidor paga mais, depois paga “um pouco menos”, mas no fim das contas, continua pagando caro.
A farsa dos centavos
A justificativa dos postos, como sempre, vem pronta: “estoque antigo”, “custo de distribuição”, “variação do etanol”. Mas há algo que não fecha. Em Belo Horizonte, por exemplo, o preço médio da gasolina caiu R$ 0,12 em menos de uma semana após o início da E30, segundo levantamento do site MercadoMineiro. Em Ribeirão Preto, SP, também houve redução. E aqui?
Aqui, o consumidor segue sozinho. Silencioso. E sem respostas.
Cadê o Procon?
Essa coluna quer saber, e tenho certeza que o leitor também quer: Onde está o Procon Municipal? Onde estão os fiscais da Agência Nacional do Petróleo? Cadê os vereadores da nossa cidade?
É preciso parar de fingir que isso não é um problema local. O preço da gasolina em Barra do Garças vive num universo paralelo, desconectado da realidade nacional. Sempre que há uma previsão de queda, há um aumento antecipado. Depois, uma “promoção” que ainda deixa o combustível mais caro do que antes. Isso tem nome: especulação indecente.
Câmara Municipal em silêncio
E os vereadores? Nenhuma audiência pública foi convocada, nenhuma CPI local sugerida, nenhuma nota publicada. O silêncio da Câmara de Barra do Garças diante dos aumentos injustificados dos combustíveis é cúmplice. Ficam ocupados demais com as redes sociais, mas ignoram um dos temas mais urgentes para a população.
Precisamos falar sério sobre fiscalização
Não adianta leis, medidas e promessas do Governo Federal se, na ponta, o consumidor continua à mercê da vontade de um cartel silencioso de preços. A população de Barra do Garças não pode aceitar calada essa dança de valores que enriquece poucos e penaliza muitos.
Fica aqui um desafio direto aos órgãos de fiscalização e aos parlamentares locais:
Abram os olhos. Entrem em ação. Quebrar esse ciclo de aumentos oportunistas depende de vontade política, fiscalização firme e pressão popular.
E você, leitor, vai continuar abastecendo calado? Ou já está na hora de exigir transparência, investigação e respeito ao seu bolso?






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