Exonerado por um artigo

Konrad Felipe/ Jornalista – konradfelipe@gmail.com

Há momentos em que o jornalismo cobra um preço. Nesta semana, esse preço chegou para mim na forma de uma exoneração de um cargo comissionado que exercia na Prefeitura de Barra do Garças.

Antes de qualquer coisa, faço questão de agradecer ao prefeito Dr. Adilson pela oportunidade de integrar sua equipe. Durante o período em que estive na administração municipal, procurei desempenhar minhas funções com dedicação, responsabilidade e respeito ao serviço público. Na Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer, mantive uma postura ilibada, trabalhando para divulgar as ações da educação pública com profissionalismo e compromisso com a informação.

Também registro meu desapontamento pela forma como fui desligado. Por ocupar um cargo de livre nomeação e exoneração, compreendo perfeitamente que mudanças fazem parte da dinâmica da política. O que me entristeceu foi descobrir minha exoneração por acaso, sem qualquer comunicação prévia do gabinete ou de quem quer que fosse. Depois de tanto trabalho, acredito que o respeito pessoal deveria prevalecer acima das circunstâncias políticas.

Não guardo ressentimento de alguns  vereadores que, segundo me foi informado, solicitaram minha exoneração após a publicação do artigo ‘Cestas, sextas e sestas”, publicado nesta coluna.

A política é feita de escolhas, alianças, divergências e consequências. Entendo isso. O que considero curioso é que, quando escrevi diversos artigos elogiando a atuação da Câmara Municipal e reconhecendo iniciativas de parlamentares, ninguém apareceu para me parabenizar. Bastou um artigo crítico para que viessem as reações.

Ainda assim, não me arrependo de uma única linha que escrevi. O compromisso de um jornalista deve ser com a sua consciência e com o interesse público, nunca com a conveniência.

Nos últimos dias recebi centenas de mensagens. Professores do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso – Campus Araguaia manifestaram solidariedade. Colegas jornalistas de Mato Grosso também fizeram questão de demonstrar apoio. Recebi mensagens de moradores de Barra do Garças, muitos deles pessoas que nunca vi pessoalmente, dizendo que se sentiram representados pelo artigo que publiquei. Essas manifestações têm um valor que dinheiro nenhum compra.

Aproveito para agradecer, de maneira especial, ao Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (SINDJOR-MT), instituição da qual tenho a honra de ser diretor de Comunicação, eleito pelos jornalistas sindicalizados do estado. Essa confiança reforça ainda mais minha responsabilidade com a profissão.

Também não posso deixar de reconhecer o trabalho da Polícia Civil de Mato Grosso. Em outro momento da minha trajetória, quando fui vítima de uma campanha de fake news, uma investigação conduzida pela Polícia Civil, com apoio da Polícia Federal, resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão contra suspeitos de integrarem um grupo que atuava disseminando notícias falsas na cidade. Aquela atuação demonstrou que o Estado possui instrumentos para enfrentar quem utiliza a mentira como arma política.

Continuarei acreditando que o debate público deve ser feito com argumentos, nunca com intimidação.

Os acontecimentos recentes também me fizeram refletir sobre o momento político que vivemos. É legítimo que agentes públicos discordem de críticas e de opiniões. O que não considero saudável é quando a crítica é respondida com tentativas de silenciamento ou retaliação. A democracia se fortalece quando há espaço para opiniões divergentes.

Se minha exoneração realmente decorreu do artigo que escrevi, recebo essa consequência com serenidade. Não há cargo público que valha mais do que a liberdade de consciência e o exercício responsável da profissão que escolhi.

A todos que estiveram ao meu lado, meu sincero muito obrigado. Cada mensagem, cada abraço e cada palavra de incentivo renovaram minha convicção de que vale a pena continuar escrevendo.

Sigo de cabeça erguida, com a mesma disposição de sempre para exercer o jornalismo com independência, ética e responsabilidade.

Porque acredito que nenhuma função pública é maior do que a consciência tranquila de quem faz seu trabalho honestamente.

Como costumo dizer: “Pra mim, nada. Para nós, tudo.”

E reforço outra frase que carrego comigo ao longo da vida: “Ninguém faz nada sozinho”

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