Escrevemos esta carta movidos por uma profunda preocupação com o Arco de Pedra, um dos lugares mais belos e simbólicos de nossa região, onde tantas pessoas sobem para contemplar o nascer do sol, admirar a grandiosidade da natureza e sentir a força da Serra do Roncador.
A recente pavimentação da estrada facilitou o acesso, permitindo que muito mais pessoas conheçam esse patrimônio natural. Isso é positivo. No entanto, essa conquista precisa vir acompanhada de responsabilidade, informação e medidas de proteção.
Infelizmente, o que temos presenciado é alarmante.
Visitantes chegam sem qualquer orientação sobre os riscos do local. Crianças pequenas circulam próximas aos precipícios sem os devidos cuidados. Pessoas descem por áreas da formação rochosa que apresentam sinais de vulnerabilidade e risco de desmoronamento. Há quem atire pedras do alto da serra, colocando em perigo quem possa estar abaixo. E, para completar, o lixo deixado na natureza revela uma triste falta de consciência ambiental.
O Arco de Pedra não é apenas um ponto turístico. É um patrimônio natural que merece respeito. A Serra do Roncador guarda uma riqueza geológica, ambiental, histórica e espiritual que não pode ser tratada como um simples cenário para fotografias.
Não podemos esperar que uma tragédia aconteça para que providências sejam tomadas.
Solicitamos às autoridades competentes que avaliem, com urgência, medidas como:
* instalação de placas informativas e de alerta sobre os riscos do local;
* sinalização das áreas perigosas e vulneráveis;
* ações de educação ambiental para visitantes;
* definição de normas de visitação que garantam a segurança das pessoas e a preservação do ambiente;
* fiscalização, especialmente nos períodos de maior movimento.
Ao mesmo tempo, fazemos um apelo à comunidade e aos visitantes: cada pessoa é responsável pela forma como ocupa esse espaço. Leve de volta o seu lixo. Respeite os limites da natureza. Cuide das crianças. Evite atitudes que coloquem vidas em risco. A beleza da Serra depende também das escolhas de cada um de nós.
A Serra do Roncador não precisa apenas de visitantes. Precisa de guardiões.
Que possamos contemplar o nascer do sol nesse lugar extraordinário sem colocar vidas em risco e sem ferir um patrimônio que pertence às presentes e futuras gerações.
Cuidar da Serra é cuidar da vida!!!
Nara Carneiro
Fabiano Dall Agnol






A carta aberta assinada por Nara Carneiro e Fabiano Dall Agnol traz um alerta oportuno sobre um desafio comum a diversos destinos de turismo ecológico: como ampliar o acesso da população às belezas naturais sem comprometer a segurança das pessoas e a preservação do patrimônio ambiental.
A pavimentação da estrada de acesso ao Arco de Pedra representa um avanço importante para o turismo regional, tornando um dos cenários mais emblemáticos da Serra do Roncador mais acessível a moradores e visitantes. No entanto, o aumento do fluxo de pessoas exige planejamento e gestão compatíveis com a relevância e a fragilidade do local.
As preocupações apresentadas na carta — ausência de sinalização, circulação de visitantes em áreas de risco, descarte irregular de lixo e comportamentos que podem colocar vidas em perigo — merecem atenção das autoridades e da sociedade. Em ambientes naturais, a prevenção é sempre a melhor estratégia. A instalação de placas informativas, a delimitação de áreas sensíveis, ações permanentes de educação ambiental e, quando necessário, fiscalização, são medidas adotadas em diversos parques e atrativos turísticos para reduzir acidentes e preservar ecossistemas.
Ao mesmo tempo, a responsabilidade não recai apenas sobre o poder público. Cada visitante tem o dever de respeitar as regras de convivência com a natureza, preservar o ambiente e agir com prudência. A conservação de um patrimônio natural depende de uma cultura coletiva de cuidado, em que o direito de visitar esteja acompanhado do compromisso de proteger.
O Arco de Pedra e a Serra do Roncador constituem um patrimônio de valor ambiental, paisagístico e cultural para toda a região. Preservá-los significa garantir que futuras gerações também possam contemplar sua beleza e compreender sua importância. Mais do que um destino turístico, trata-se de um legado natural cuja proteção deve ser uma responsabilidade compartilhada entre governo, comunidade e visitantes.