Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com
Nas últimas semanas, uma expressão tomou conta das redes sociais: “farmar aura”. Confesso que, como muitos da minha geração, precisei procurar o significado. Descobri que, na linguagem dos jovens, significa conquistar respeito, admiração ou reconhecimento por atitudes, postura ou presença.
Achei interessante a definição. Mas ela também me fez refletir.
A verdadeira “aura” não nasce de um vídeo viral, de uma frase de efeito ou de alguns minutos de fama. Ela não pode ser comprada, fabricada ou construída apenas pela aparência. A verdadeira aura é consequência da coerência. É fruto daquilo que fazemos quando ninguém está olhando e, principalmente, daquilo que continuamos fazendo quando somos questionados.
Nos últimos dias vivi algo que jamais imaginei experimentar.
Depois de publicar o artigo “Exonerado por um artigo”, fui surpreendido por manifestações de apoio que vieram de todos os lados. Recebi mensagens de colegas jornalistas, de profissionais de diferentes áreas, de instituições e, principalmente, de cidadãos comuns. Pessoas que talvez eu nunca tivesse encontrado passaram a me cumprimentar nas ruas, no supermercado, em eventos e em diversos outros lugares.
Muitos fizeram questão de dizer apenas uma frase:
“Você falou por nós.”
Confesso que essa talvez tenha sido a maior recompensa que um jornalista pode receber.
Também fui convidado para entrevistas, podcasts e conversas sobre tudo o que aconteceu. Agradeço, sinceramente, cada convite e cada demonstração de carinho. Optei por não transformar aquele momento em uma sequência de entrevistas porque acredito que há ocasiões em que o silêncio comunica mais do que repetir as mesmas palavras. O que precisava ser dito foi escrito, publicado e entregue aos leitores.
O restante pertence ao julgamento da sociedade.
Se toda essa experiência me ensinou alguma coisa, foi que o reconhecimento verdadeiro não nasce da polêmica. Nasce da credibilidade construída ao longo dos anos.
Nenhum jornalista trabalha esperando aplausos. Nosso compromisso sempre deve ser com os fatos, com a informação responsável e com o direito da sociedade de conhecer aquilo que é de interesse público. Nem sempre isso agrada. Nem sempre isso é confortável. Mas esse é justamente o papel de uma imprensa livre.
Curiosamente, situações que poderiam representar o fim de uma caminhada, às vezes acabam fortalecendo seus propósitos.
Não porque alguém desejou isso.
Mas porque a sociedade sabe reconhecer quando uma convicção é maior do que uma circunstância.
O apoio que recebi não pertence apenas a mim. Eu o enxergo como um gesto de respeito ao jornalismo sério, à liberdade de expressão e ao direito de cada cidadão de ser informado. Se minhas palavras encontraram eco em tantas pessoas, é porque elas também acreditam que a imprensa deve continuar exercendo seu papel com independência, responsabilidade e coragem.
Vivemos tempos em que a opinião muitas vezes fala mais alto do que os fatos. Em que a velocidade das redes sociais supera a paciência da apuração. Em que julgamentos acontecem antes mesmo da verdade aparecer. Por isso, talvez nunca tenha sido tão importante defender o jornalismo profissional.
A confiança não se conquista em um dia. Ela é construída reportagem após reportagem, texto após texto, acerto após acerto e, sobretudo, pela disposição de assumir responsabilidades quando necessário.
Se alguém disser que, nesses dias, eu “farmei aura”, responderei com tranquilidade: não.
O que recebi não foi aura.
Foi algo infinitamente mais valioso.
Foi a confiança das pessoas.
E essa não se ganha com discursos. Ganha-se com coerência, trabalho, respeito aos leitores e a certeza de que, independentemente das circunstâncias, vale a pena continuar acreditando que o bom jornalismo ainda faz diferença.
Enquanto houver uma única pessoa que se sinta representada por uma informação verdadeira, por uma pergunta necessária ou por uma palavra escrita com responsabilidade, haverá razões para continuar escrevendo.
Porque, no fim das contas, a maior conquista de um jornalista nunca será a visibilidade.
Será a credibilidade.






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