Quando o Araguaia disputa quem pode falar por ele

Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com

Na semana passada, escrevi neste espaço sobre o debate dos candidatos a deputado estadual realizado em Confresa. Uma semana depois, a discussão subiu um degrau. Agora, a cadeira pretendida está em Brasília.

O debate promovido pela Agência da Notícia, no domingo, 20 de setembro, reuniu Juliana Kolankiewicz, Professor Sivirino, Natanael Pereira e Fernando Gorgen. Quatro candidatos ligados ao Araguaia diante de uma pergunta antiga para nossa região: quem consegue transformar pertencimento regional em representação política na Câmara dos Deputados?

E talvez tenha sido justamente a palavra representação que melhor resumiu a noite.

O Araguaia produz, cresce e movimenta a economia de Mato Grosso, mas continua convivendo com gargalos conhecidos. Estradas, saúde, educação, logística, industrialização e infraestrutura voltam ao debate a cada eleição. Quando candidatos daqui sentam frente a frente, portanto, não discutem apenas propostas. Disputam também o direito político de dizer: “eu conheço esta região”.

Fernando Gorgen e Juliana Kolankiewicz protagonizaram um dos contrapontos mais interessantes dessa discussão. Gorgen recorreu à experiência administrativa em Querência e ao discurso da necessidade de maior representação regional. Juliana tem como credencial sua passagem pela Câmara dos Deputados.

Daí surge uma questão que considero mais importante do que saber quem venceu uma troca de argumentos: o que significa, afinal, representar o Araguaia?

É ter administrado uma cidade? Já ter passado por Brasília? Conhecer os municípios? Conseguir recursos? Ter história construída na região?

É nesse ponto que Professor Sivirino aparece com uma trajetória peculiar dentro daquela mesa.

Quem o conhece apenas como vice-prefeito de Barra do Garças talvez enxergue somente uma parte do caminho. Sivirino já foi vereador, passou pela gestão da educação municipal e, neste ano, exerceu por 30 dias o mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa.

Não é necessário transformar currículo em resposta pronta. Mas conhecer o caminho percorrido por cada candidato ajuda a entender o que ele leva para uma eventual atuação parlamentar.

Gorgen chega com a experiência da administração municipal. Juliana, com a passagem pela Câmara Federal. Sivirino reúne experiências no Legislativo municipal, na gestão pública, no Parlamento estadual, na educação e no esporte. Natanael Pereira leva a perspectiva de Confresa e tenta projetar para uma disputa estadual uma trajetória política ainda mais ligada ao município.

São caminhos diferentes.

E é justamente para confrontá-los que um debate eleitoral serve.

Na propaganda, todos aparecem na melhor fotografia, com a frase ensaiada e o vídeo editado. No debate não existe o mesmo conforto. Há pergunta, réplica, pressão e improviso. É ali que currículo precisa conversar com proposta e que história precisa encontrar capacidade de explicar o que se pretende fazer.

Há ainda um problema maior para todos eles.

Barra do Garças sozinha não elege um deputado federal. Querência também não. Água Boa ou Confresa, isoladamente, tampouco. Quem pretende representar o Araguaia em Brasília terá de ultrapassar as fronteiras do próprio município e mostrar que consegue enxergar uma região que, apesar das distâncias, compartilha muitos dos mesmos problemas.

Talvez essa seja a grande provocação deixada pelo debate.

Durante anos reclamamos que o Araguaia precisa de voz. Agora existem candidatos da própria região pedindo essa oportunidade.

Cabe ao eleitor olhar além da propaganda, conhecer trajetórias, comparar propostas e cobrar respostas.

E cabe a nós, jornalistas, continuar fazendo perguntas.

Porque quem pretende falar pelo Araguaia precisa primeiro mostrar que conhece o caminho que trouxe a região até aqui e, principalmente, explicar para onde pretende levá-la.

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