A ÚLTIMA DANÇA DE LULA

Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com

Há políticos que saem de cena. Lula, aos 81 anos, resolveu entrar mais uma vez no salão. Venceu sua quarta eleição presidencial e terá mais quatro anos no Palácio do Planalto. Mas a música agora é outra. O Brasil continua dividido, o Congresso está mais à direita e os desafios não cabem em um discurso de vitória.

O primeiro deles está no bolso do brasileiro. Juros altos, famílias endividadas, custo de vida e uma dívida pública que não para de preocupar. Lula terá de fazer uma mágica conhecida em Brasília: equilibrar as contas sem tirar dinheiro dos programas sociais. Parece simples no palanque. Na cadeira de presidente, a conversa muda.

As promessas são muitas. Ampliar o Minha Casa, Minha Vida, fortalecer o SUS, investir na educação, criar o Pé-de-Meia Universitário e enfrentar a criminalidade. Tudo isso, claro, depende de dinheiro e de um Congresso que não pretende facilitar a vida do presidente.

E tem outra coisa. O brasileiro está cansado de briga política. Quem mora no Vale do Araguaia, por exemplo, quer estrada, emprego, saúde funcionando e comida a preço justo. Pouco importa quem leva o crédito, desde que o resultado apareça.

Lula chega a esse quarto mandato com experiência de sobra, mas também com uma responsabilidade enorme. Aos 81 anos, talvez esteja diante de sua última grande oportunidade de deixar uma marca definitiva na história do país. Não apenas como o presidente que venceu quatro eleições, mas como aquele que conseguiu governar para além das diferenças.

A última dança de Lula começa em 2027. Resta saber se será lembrada pelos resultados ou pelas disputas políticas. Porque vencer uma eleição é uma coisa. Fazer o Brasil avançar é outra.

E, nessa dança, quem não pode continuar pagando a conta é o povo brasileiro.

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