Romantizar não paga conta: o turismo de Barra do Garças pede gestão, regra e decisão

Sem organização, o turismo de Barra do Garças continuará sendo só promessa

Por: Eduardo Oliveira

Barra do Garças insiste em repetir um erro antigo: falar muito em potencial turístico e agir pouco quando o assunto é organização. Toda vez que entram em pauta temas como voucher turístico, normatização dos atrativos ou estruturação do trade, o debate vira resistência, desinformação e medo de mudança. Enquanto isso, o turismo segue acontecendo de forma improvisada — e improviso não sustenta destino nenhum.

É preciso dizer sem rodeios: não existe turismo organizado sem dinheiro, e não existe gestão sem regras. Quem discorda disso não está defendendo o turismo, está defendendo o caos.

O voucher turístico não é invenção local, nem ferramenta de exploração. É um mecanismo adotado em destinos que entenderam que turismo precisa se pagar, se organizar e se preservar. Sem voucher, não há controle de fluxo, não há financiamento para divulgação, não há presença em feiras, não há representatividade institucional. O discurso de “divulgar mais” sem dizer quem paga é, no mínimo, irresponsável.

A normatização dos atrativos é outro tema tratado como tabu, quando deveria ser prioridade. Sem normas, o turismo degrada o que deveria proteger. Sem ordenamento, quem trabalha corretamente perde espaço para o improviso e para a informalidade. Turismo sem regra não é liberdade, é abandono.

Nesse cenário, o Araguaia Convention precisa deixar de ser lembrado apenas como algo do passado. Ele pode — e precisa — voltar a cumprir seu papel como instrumento de organização do trade, articulação entre os atores do setor e apoio à fiscalização. Sem uma entidade forte, representativa e ativa, o turismo fica refém da boa vontade individual e da ausência de critérios técnicos.

Enquanto o Convention esteve em funcionamento, houve diálogo, capacitação e construção coletiva. O fato de estar praticamente inativo há anos não é coincidência: a desorganização atual é reflexo direto dessa ausência. Turismo sem governança não avança.

É hora de parar de romantizar o turismo. Ele é uma atividade econômica, não um favor. Precisa gerar renda, pagar custos, financiar sua própria promoção e garantir a preservação ambiental. O voucher turístico, quando bem gerido e transparente, é uma das poucas ferramentas capazes de sustentar esse ciclo.

Barra do Garças não precisa reinventar o turismo. Precisa apenas amadurecer. Ou assume regras, organização e financiamento, ou continuará presa ao mesmo discurso vazio de potencial desperdiçado, enquanto outros destinos avançam. O tempo da promessa já passou. Agora é tempo de decisão.

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