Primeiro debate expõe estratégias na disputa pelo Governo de Mato Grosso

Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso nas eleições de 2026 realizado na manhã da última terça-feira, pela rádio Centro América FM 99.1 e, em vídeo, pelo portal Primeira Página, com mediação do jornalista Tiago Terciotty, deixou evidentes as estratégias que deverão marcar a campanha.

Dra. Natasha, do PSD, Otaviano Pivetta, do Republicanos, e Wellington Fagundes, do PL, aproveitaram o encontro para apresentar propostas, defender trajetórias e, principalmente, estabelecer diferenças diante do eleitor.

Na minha avaliação, Dra. Natasha apresentou o desempenho mais equilibrado. A candidata conseguiu manter uma mensagem relativamente clara, baseada no combate à corrupção e na ampliação das políticas de saúde, proteção às mulheres e atendimento às famílias mais vulneráveis. Também procurou se apresentar como uma alternativa à polarização entre Pivetta e Wellington.

Natasha foi a candidata menos atacada. Em nenhum momento os adversários questionaram com profundidade sua experiência administrativa ou a viabilidade financeira de suas propostas. Isso permitiu que ela falasse diretamente ao eleitor, enquanto os dois candidatos mais experientes gastaram boa parte do tempo em um confronto político e pessoal.

A candidata, entretanto, não passou pelo debate sem cometer erros. Ao tratar da saúde, afirmou que Mato Grosso gastaria R$ 4 bilhões por mês no setor. Pivetta corrigiu a informação, dizendo que o valor seria de aproximadamente R$ 5 bilhões por ano. Foi um deslize relevante, que mostrou a necessidade de maior cuidado com os números durante os próximos encontros.

Otaviano Pivetta foi, disparadamente, o candidato mais atacado. Como vice-governador e representante da continuidade da gestão Mauro Mendes, teve de responder sobre qualidade das rodovias, filas da saúde, pobreza, reforma tributária, mineração e suspeitas envolvendo integrantes do atual grupo político. Natasha escolheu direcionar praticamente todas as perguntas possíveis a ele, enquanto Wellington concentrou seus ataques nas obras e nas denúncias relacionadas ao governo.

Pivetta conseguiu se defender apresentando números sobre rodovias, hospitais, educação, habitação e agricultura familiar. Seu melhor momento ocorreu quando demonstrou conhecimento sobre as ações da administração estadual e corrigiu informações dos adversários. Por outro lado, perdeu parte da postura institucional ao chamar Wellington de “falastrão de carreira” e transformar alguns debates em ataques pessoais.

Wellington Fagundes foi o candidato mais combativo. Questionou duramente Pivetta, falou sobre supostas irregularidades em obras e, nas considerações finais, anunciou que sua coligação buscaria impugnar a candidatura do adversário. Também apresentou propostas para proteção às mulheres, meio ambiente, interiorização da saúde e valorização dos servidores.

Entretanto, Wellington nem sempre permaneceu no tema apresentado. Na discussão sobre estudantes neurodivergentes, por exemplo, desviou parte da resposta para dependência química e saúde mental. Em outros momentos, dedicou mais tempo à própria trajetória parlamentar e aos ataques ao governo do que à explicação objetiva de suas propostas.

O debate não produziu um vencedor absoluto, mas revelou vantagens e fragilidades. Natasha saiu melhor na comunicação e foi a menos atacada. Pivetta demonstrou conhecimento da máquina pública, mas carregou o peso de defender quase oito anos de governo. Wellington mostrou força no confronto, porém permitiu que a agressividade ocupasse espaço que poderia ser utilizado para apresentar melhor seu projeto.

Foi apenas o primeiro debate. Ainda assim, o eleitor já pôde identificar os três principais discursos da campanha: a continuidade defendida por Pivetta, a experiência política e a oposição representadas por Wellington e a tentativa de renovação apresentada por Natasha.

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