Adriano Marcos Alencar afirma que não presidiu nem participou das diligências da operação que apura o possível desvio de cerca de 13 mil cestas básicas e kits de higiene em Barra do Garças
Da Redação
A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso divulgou nota para esclarecer a atuação de delegados na Operação Mesa Vazia, deflagrada para investigar o possível desvio de aproximadamente 13 mil cestas básicas e kits de higiene destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social em Barra do Garças. O prejuízo estimado pela investigação é de cerca de R$ 1,9 milhão.
O esclarecimento foi divulgado depois que a defesa de uma das pessoas investigadas apresentou manifestações e representação com acusações contra autoridades policiais. Entre os nomes mencionados está o do delegado Adriano Marcos Alencar, que teria sido associado a alegações de perseguição, interesse pessoal e desvio de finalidade da investigação.
Segundo a nota, Adriano não presidiu o Inquérito Policial nº 63.4.2026.13323, não proferiu despachos no procedimento, não assinou representações por medidas cautelares, não integrou as equipes operacionais e não participou do cumprimento das ordens judiciais da Operação Mesa Vazia.
A Polícia Civil sustenta que essas informações podem ser comprovadas por meio dos autos, certidões e escalas funcionais. Conforme o documento, as representações, diligências e demais atos investigativos foram conduzidos, em momentos diferentes, pelos delegados Pablo Borges Rigo, Matheus, José Mauro, Joaquim Leitão Júnior e Luciana.
Investigação teve controle judicial
A Operação Mesa Vazia resultou no cumprimento de 47 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo, afastamentos funcionais e outras medidas destinadas à preservação das provas e ao aprofundamento das investigações.
De acordo com a Polícia Civil, as providências foram fundamentadas em documentos reunidos durante a apuração, submetidas ao Ministério Público e analisadas pelo Poder Judiciário. Nem todos os pedidos apresentados pela investigação foram acolhidos.
Na decisão, o juiz das Garantias Luis Felipe Lara de Souza reconheceu a gravidade dos fatos investigados e a necessidade de preservar provas. Para a instituição, esse controle demonstra que a operação não resultou de uma decisão pessoal ou isolada de qualquer delegado.
A investigação apura se cargas de alimentos e materiais de higiene, que deveriam seguir o sistema oficial de distribuição, foram retiradas de sua finalidade pública e encaminhadas a um circuito paralelo, sem controle institucional e sem a correspondente prestação de contas. As responsabilidades individuais, entretanto, ainda dependem da conclusão do inquérito e da análise das instituições competentes.
Delegado anuncia providências
Diante das acusações, Adriano Marcos Alencar informou que encaminhou uma notificação extrajudicial ao profissional responsável pelas manifestações, solicitando a individualização dos fatos que lhe foram atribuídos e a apresentação dos respectivos elementos de comprovação.
O delegado também anunciou que pretende encaminhar a controvérsia à Ordem dos Advogados do Brasil, para análise de eventual repercussão ético-disciplinar, e ao Ministério Público, para avaliação de possível repercussão penal. Uma ação indenizatória por eventuais danos à honra, à imagem e à reputação profissional também deverá ser apresentada ao Poder Judiciário.
Segundo a nota, essas providências serão adotadas em caráter individual e fora da estrutura da investigação da Operação Mesa Vazia. Adriano afirma que as medidas não representam retaliação ao exercício da advocacia, mas o encaminhamento da controvérsia às instituições responsáveis, com garantia do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal.
A Polícia Civil declarou que continuará investigando o possível desvio dos bens públicos e que as responsabilidades serão individualizadas conforme as provas reunidas. A instituição também afirmou que eventuais acusações contra policiais deverão ser examinadas pelos órgãos competentes.
A reportagem não teve acesso à íntegra das manifestações apresentadas pela defesa citada na nota. O espaço permanece aberto para posicionamento dos envolvidos.

Foto: Podcast Frente a Frente com Araguaia

Foto: Ilustrativa / www.publicdomainpictures.net






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