Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com
Em 1988, o Rio de Janeiro viveu uma das histórias mais curiosas das eleições brasileiras. Em meio ao descrédito de parte do eleitorado com a política, humoristas da revista Casseta Popular (Casseta e Planeta) resolveram lançar uma candidatura que simplesmente não existia: a do Macaco Tião, um chimpanzé famoso do zoológico carioca.
Naquela época, o voto ainda era feito em cédula de papel. Bastava escrever o nome escolhido. E muita gente entrou na brincadeira.
Tião teria recebido cerca de 400 mil votos. Não podia assumir cargo algum, evidentemente, e todos aqueles votos foram considerados nulos. Mas, caso fossem válidos, o chimpanzé teria terminado a eleição em terceiro lugar.
A história é engraçada e até hoje rende boas conversas. Mas também deixa uma reflexão que continua bastante atual: voto não é brincadeira.
Neste domingo, 4 de outubro, o Brasil volta às urnas para escolher presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual.
E talvez a principal tarefa do eleitor nestes últimos dias não seja ouvir mais um carro de som, assistir a mais um vídeo ou receber mais um santinho. É parar alguns minutos e pensar.
Quem são os candidatos? O que fizeram antes de pedir o voto? Quais propostas apresentam? Conhecem os problemas da nossa região? Terão condições de representar o Vale do Araguaia? E, principalmente, depois da eleição, haverá como acompanhar e cobrar o mandato?
A representação regional é um assunto que merece atenção. Quando uma região consegue eleger representantes que conhecem sua realidade, suas demandas podem ganhar interlocução mais direta nos espaços de decisão. Mas proximidade geográfica, por si só, não deve substituir a análise de trajetória, propostas, capacidade de atuação e compromisso público.
É preciso olhar tudo.
Barra do Garças e o Vale do Araguaia têm reivindicações antigas: saúde, infraestrutura, educação, desenvolvimento econômico, estradas, geração de emprego, agricultura, turismo, esporte e tantas outras. Independentemente de quem seja escolhido, essas pautas continuarão esperando respostas na segunda-feira depois da eleição.
Por isso, mais importante do que simplesmente apertar números na urna é saber quem estará por trás deles.
Esta campanha também teve uma característica que chamou atenção: aparentemente, tivemos menos movimentação nas ruas do que em outros anos. Há vários fatores possíveis para isso, inclusive a própria mudança das campanhas, cada vez mais concentradas nas redes sociais. E não podemos ignorar o calor sufocante enfrentado nas últimas semanas. Mato Grosso esteve sob alerta de calor intenso, enquanto Barra do Garças teve previsão de temperaturas chegando à casa dos 41 graus.
Mesmo assim, houve gente nas ruas.
E é justamente a essas pessoas que também devemos respeito.
Foram cabos eleitorais, militantes, motoristas, distribuidores de material, equipes de apoio e trabalhadores responsáveis por colocar e retirar wind banners. Pessoas que enfrentaram sol forte, calor e longas horas de trabalho.
Por trás de cada camiseta de campanha existe alguém trabalhando.
Para muitos, aquele serviço representa o sustento de casa, a compra do mês ou uma renda importante naquele período. Independentemente de partido ou candidato, todos que exerceram seu trabalho de maneira honesta merecem reconhecimento.
Quando a campanha termina, ficam as amizades, os encontros, algumas divergências e, esperamos, o respeito.
Domingo é o dia em que a propaganda perde espaço e a decisão passa definitivamente para as mãos do eleitor.
Não precisamos de outro Macaco Tião. Precisamos de informação, responsabilidade e consciência sobre a importância de cada escolha.
Pesquise. Compare. Olhe a trajetória de quem pede seu voto. Conheça as propostas. Pense no Brasil, em Mato Grosso, no Araguaia e na comunidade onde você vive.
Depois da eleição, cobre.
Porque democracia não termina quando aparece a palavra “CONFIRMA” na urna. Ali começa outra responsabilidade: acompanhar aqueles que receberam a confiança da população.
Que possamos ter neste domingo uma eleição tranquila, segura, respeitosa e democrática.
Aos candidatos, equipes e trabalhadores que chegaram até aqui, fica o reconhecimento pelo esforço.
E ao eleitor, fica aquilo que nenhuma campanha pode fazer em seu lugar:
a escolha.






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