Concluídas as eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, a expectativa dos brasileiros deve se voltar ao cumprimento dos deveres daqueles que receberam a confiança popular. A vitória nas urnas representa uma responsabilidade com toda a sociedade. Não pode servir de autorização para o revanchismo, o ódio ou a perseguição de adversários. Cada mandato deve ser exercido com seriedade, respeito às instituições e compromisso com as necessidades do país.
O novo Congresso terá a oportunidade de contribuir para as reformas que o Brasil tanto almeja. A população espera medidas capazes de melhorar os serviços públicos, ampliar as oportunidades de trabalho, fortalecer a segurança e assegurar o uso responsável dos recursos públicos. Deputados e senadores precisam compreender que a esperança depositada nas urnas exige resultados concretos, fiscalização competente e disposição para enfrentar problemas que atravessam sucessivos governos.
As diferenças entre os partidos fazem parte da democracia. Entretanto, não podem impedir o diálogo nem transformar o exercício do poder em uma disputa permanente de ressentimentos. Fiscalizar, investigar e cobrar responsabilidades são deveres legítimos, que precisam ser cumpridos com fundamento, equilíbrio e respeito ao direito de defesa. A autoridade de um parlamentar se fortalece quando suas decisões atendem ao interesse público e podem ser explicadas com clareza à sociedade.
Enquanto o Legislativo se prepara para uma nova etapa, os brasileiros voltam suas atenções ao segundo turno presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro. O confronto reúne trajetórias, gerações e orientações políticas distintas. Essas diferenças, porém, não dispensam nenhum dos candidatos de apresentar um projeto consistente de governo. A experiência deve ser avaliada pelos resultados, assim como a promessa de renovação deve ser examinada pela qualidade das propostas e pela capacidade de realizá-las.
O debate precisa esclarecer como cada candidato pretende conduzir a economia, melhorar a saúde e a educação, combater a criminalidade e reduzir as desigualdades. Também deve mostrar como buscará apoio no Congresso e preservará o equilíbrio entre os Poderes. Discursos genéricos, provocações e ataques pessoais pouco ajudam o cidadão que procura compreender as consequências de sua escolha.
Dos candidatos, espera-se uma campanha respeitosa, com propostas viáveis e explicações objetivas. Dos eleitores, espera-se atenção para distinguir informação de boato, compromisso de promessa vazia e convicção de impulso. Apoios políticos e pesquisas podem influenciar o ambiente eleitoral, mas não substituem o julgamento individual de quem conhece as dificuldades de sua família e de sua comunidade.
O segundo turno oferece uma oportunidade decisiva para escolher o rumo do país. O voto deve expressar uma decisão consciente, livre e responsável. Depois da eleição, a participação do cidadão precisa continuar, acompanhando os mandatos e cobrando o que foi prometido. O Brasil espera que seus representantes saibam transformar a confiança recebida em trabalho, reformas e benefícios reais para a população.
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)







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