Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com
Em Mato Grosso, basta surgir a possibilidade de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) para que os bastidores da política comecem a ferver. Nomes aparecem, conversas se multiplicam e lideranças passam a fazer contas. Tudo isso antes mesmo de existir uma cadeira oficialmente disponível.
Foi o que aconteceu com as especulações sobre a possível aposentadoria antecipada do conselheiro Waldir Teis. Entre os nomes citados para uma eventual indicação estão os deputados Dilmar Dal Bosco, Eduardo Botelho, Carlos Avallone e Sebastião Rezende. Também foram noticiadas articulações envolvendo empresários interessados em apoiar determinados nomes.
Mas a expectativa sofreu um freio quando Teis anunciou que pretende continuar no cargo. Aos 73 anos, afirmou que ainda tem muito trabalho pela frente e descartou uma aposentadoria antecipada. Sua saída compulsória está prevista para 2028.
A cadeira, por enquanto, continua ocupada. Mas a movimentação deixou uma pergunta: o que torna tão cobiçado o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas?
É preciso reconhecer que se trata de uma função de grande importância. O TCE fiscaliza a aplicação dos recursos públicos, examina contas e acompanha atos da administração. Seus integrantes participam de decisões que podem ter consequências significativas para prefeitos, gestores e toda a estrutura do poder público.
Além da relevância institucional, o cargo oferece prestígio, remuneração elevada e garantias próprias da função. Não é difícil compreender, portanto, por que desperta tanto interesse entre políticos e outras personalidades influentes do Estado.
O que merece reflexão é outra coisa: se a função exige tanta responsabilidade, por que a discussão pública parece se concentrar mais em quem conseguirá a indicação do que em quem reúne as melhores condições para exercê-la?
A escolha de um conselheiro não deveria ser tratada como prêmio por uma carreira política, moeda de negociação partidária ou oportunidade de reorganizar a composição da Assembleia Legislativa com a saída de um deputado e a entrada de um suplente. O que deve prevalecer é o interesse público, com respeito aos requisitos legais e à capacidade de atuação independente.
Afinal, estamos falando de uma instituição que fiscaliza justamente a utilização do dinheiro dos contribuintes. Por isso, a sociedade tem o direito de acompanhar o processo de escolha, conhecer os critérios adotados e cobrar transparência.
Não há nada de errado em alguém desejar ocupar um cargo de tamanha relevância. O problema começa quando a disputa pela cadeira parece mais importante do que a missão que espera por quem se sentar nela.
Por enquanto, não existe vaga aberta. Waldir Teis anunciou que pretende permanecer no Tribunal, e qualquer mudança dependerá dos procedimentos legais aplicáveis. Até lá, os nomes podem continuar circulando pelos corredores do poder.
Mas fica a reflexão: o Tribunal de Contas precisa de conselheiros preparados para fiscalizar o dinheiro público ou de mais uma cadeira disputada por quem já conhece os caminhos da política?
A resposta deveria ser evidente. Afinal, a cadeira pode ser desejada por muitos, mas a responsabilidade de ocupá-la pertence a quem estiver à altura da função. E, nesse caso, o que realmente importa não é quem consegue chegar ao Tribunal, mas como trabalha depois de chegar lá.







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