Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com
As eleições de 2026 se aproximam e, mais uma vez, Barra do Garças será disputada por candidatos de todas as regiões de Mato Grosso. Todos virão pedir votos, fazer promessas, gravar vídeos, apertar mãos e dizer que conhecem as necessidades do Araguaia. Mas, passada a eleição, a pergunta costuma ser a mesma: quem, de fato, estará em Cuiabá e em Brasília defendendo Barra do Garças?
Nossa cidade já viveu um tempo em que tinha representação e protagonismo político. O nome de Wilmar Peres remete justamente a essa época em que Barra do Garças tinha presença no centro das decisões de Mato Grosso. Não se trata de saudosismo vazio, mas de uma reflexão necessária: quando uma região possui representantes comprometidos com sua realidade, suas demandas deixam de ser apenas promessas de campanha e passam a ter voz nos espaços de poder.
Na última eleição, candidatos de diferentes partes do Estado receberam votos em Barra do Garças. É legítimo que cada eleitor escolha livremente quem considera mais preparado. O voto é secreto, pessoal e deve ser respeitado. Mas também é preciso entender a consequência coletiva da pulverização: quando os votos se espalham entre dezenas de candidaturas sem vínculo real com a cidade, Barra do Garças termina a eleição sem força política suficiente para eleger ou sustentar representantes próprios.
E quem paga essa conta é a população.
Sem deputados estaduais e federais com base sólida na cidade e compromisso permanente com a região, ficam mais difíceis as cobranças por investimentos em saúde, infraestrutura, educação, segurança pública, habitação, geração de emprego e integração regional. Outros municípios, mais organizados politicamente, conseguem eleger suas bancadas, defender suas pautas e disputar recursos com muito mais força.
É verdade que a política local enfrenta limitações. As lideranças vivem dificuldades financeiras, os acordos são frágeis e, frequentemente, cada grupo segue um caminho diferente, em busca de espaço e sobrevivência política. Há quem aposte em candidaturas externas, quem priorize alianças partidárias e quem enxergue uma oportunidade individual. Tudo isso faz parte do jogo democrático. Porém, quando cada um corre para um lado, o projeto coletivo fica pelo caminho.
Barra do Garças não pode continuar sendo apenas um grande colégio eleitoral para políticos de fora. A cidade precisa discutir, com maturidade, quais candidaturas realmente têm raízes aqui, conhecem nossos problemas e estarão disponíveis depois da apuração das urnas. Não se trata de votar por amizade, parentesco ou discurso bonito. Trata-se de avaliar preparo, história, compromisso e capacidade de representar.
Em 2026, o eleitor terá novamente a caneta na mão. O voto é secreto, mas seu resultado é público: ele aparece na ausência ou na presença de representantes, nas emendas destinadas ao município, nas portas que se abrem — ou permanecem fechadas — para Barra do Garças.
Talvez seja a hora de deixar de apenas emprestar votos e começar a construir representação. Porque uma cidade do tamanho, da importância e da história de Barra do Garças não pode se acostumar a assistir de longe às decisões que definem o seu futuro.






Barra do Garças precisa parar de emprestar seus votos
As eleições de 2026 estão chegando e, mais uma vez, Barra do Garças deve receber candidatos de todas as regiões de Mato Grosso. Virão pedir votos, fazer promessas, apertar mãos e falar sobre os problemas do Araguaia.
Mas fica a pergunta: quem estará aqui depois da eleição para defender a cidade?
O problema não é o eleitor votar em candidatos de fora. O voto é livre e secreto. O problema é a pulverização dos votos entre dezenas de candidaturas, muitas sem vínculo permanente com Barra do Garças. No fim, a cidade pode ter milhares de votos distribuídos, mas pouca ou nenhuma representação efetiva.
E quem paga essa conta é a população.
Sem representantes com força política para atuar em Cuiabá e Brasília, ficam mais difíceis as cobranças por investimentos em saúde, infraestrutura, educação, segurança, habitação, turismo e geração de empregos.
Barra do Garças já teve protagonismo político. A história de Wilmar Peres mostra que a cidade já ocupou espaço importante nas decisões de Mato Grosso. Recuperar essa força não significa votar por amizade, parentesco ou simplesmente porque o candidato é daqui.
Candidato local também precisa provar que merece o voto.
É preciso avaliar preparo, trajetória, compromisso, capacidade de articulação e, principalmente, presença depois das urnas.
Em 2026, a pergunta não deveria ser apenas “quem veio pedir meu voto?”
A pergunta precisa ser:
“Quem continuará defendendo Barra do Garças quando a eleição acabar?”
A cidade não pode continuar sendo apenas um grande colégio eleitoral para políticos de fora.
É hora de transformar votos em representação.