Em entrevista à A Gazeta do Vale do Araguaia, presidente do Tribunal, desembargadora Serly Marcondes Alves, detalhou a atuação integrada das forças de segurança, defendeu a confiabilidade do sistema eletrônico de votação e explicou como a plataforma GuaIA será utilizada durante o processo eleitoral
Da Redação
A presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes Alves, afirmou que a Justiça Eleitoral está preparada para garantir a segurança, a transparência e a normalidade das Eleições Gerais de 2026. A declaração foi dada em entrevista à reportagem de A Gazeta do Vale do Araguaia durante a audiência pública realizada na sexta-feira, 31 de julho, no Tribunal do Júri do Fórum da Comarca de Barra do Garças.
A entrevista foi concedida durante a audiência pública promovida pelo TRE-MT no Tribunal do Júri do Fórum da Comarca de Barra do Garças. O encontro teve como finalidade aproximar a Justiça Eleitoral da sociedade, esclarecer dúvidas sobre o processo eleitoral e receber manifestações e sugestões de cidadãos e representantes de instituições públicas e privadas.
A audiência abordou temas como segurança das urnas eletrônicas, propaganda eleitoral, acessibilidade, canais para denúncias, participação dos povos indígenas, atuação dos mesários e uso das redes sociais durante a campanha.
Segurança integrada
Segundo Serly Marcondes, o planejamento da segurança das eleições é realizado pelo Gabinete de Gestão Integrada (GGI), coordenado pela juíza auxiliar da Presidência do TRE-MT, Edna Ederli Coutinho.
“O GGI é o lugar onde todas as questões de segurança são resolvidas, planejadas e executadas”, explicou.
A Polícia Federal será responsável pela coordenação das forças de segurança. O planejamento reúne ainda representantes das polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Marinha e Aeronáutica, além de órgãos responsáveis pela logística e pela infraestrutura necessária para a votação.
A mobilização leva em consideração as dimensões territoriais de Mato Grosso e as dificuldades de acesso a comunidades rurais e aldeias indígenas. Em algumas regiões, o transporte de urnas, servidores e materiais eleitorais depende de barcos, aviões e helicópteros.
De acordo com a presidente, o sistema permite que o Tribunal acompanhe ocorrências em tempo real e tome decisões imediatas. O planejamento também prevê respostas para falhas no fornecimento de energia, problemas em equipamentos, transporte, alimentação e outras situações que possam comprometer a votação.
“Tudo o que acontece, a gente sabe imediatamente. Eu fico sabendo em tempo real e vamos tomando as decisões”, declarou.
Confiança nas urnas
Questionada pela reportagem sobre a segurança das urnas eletrônicas, a desembargadora defendeu a confiabilidade do sistema de votação e afirmou que os procedimentos são acompanhados por técnicos, representantes de instituições e pela imprensa.
“Temos os técnicos, as urnas, os sistemas, a carga e lacração e as auditorias. Tudo isso funciona por meio de resoluções, audiências públicas e com a participação da imprensa”, disse.
Serly Marcondes ressaltou que candidatos eleitos em pleitos anteriores foram escolhidos pelo mesmo sistema eletrônico e afirmou que não houve, na região, contestação capaz de demonstrar fraude nos resultados.
Para a presidente, o principal desafio atualmente deixou de ser a discussão sobre a confiabilidade da urna e passou a ser o enfrentamento da desinformação.
“Hoje, o discurso da urna já é passado. O que se discute é a desinformação. Onde cabe a desinformação? Onde não existe informação real”, afirmou.
A magistrada também destacou o papel dos veículos de comunicação na divulgação de informações corretas sobre as eleições. Segundo ela, a aproximação com jornalistas é uma das prioridades de sua gestão.
“A imprensa é o maior triunfo desta gestão. De todos os produtos que transferimos para a imprensa, 98% foram reproduzidos em tempo real, sem distorção”, declarou.
Inteligência artificial
Entre as ferramentas que serão utilizadas pelo TRE-MT está a plataforma GuaIA, desenvolvida em parceria entre o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) e a Universidade Federal de Goiás (UFG).
A tecnologia analisa textos, imagens, áudios e vídeos para auxiliar na identificação de conteúdos falsos, manipulados ou descontextualizados. O TRE-MT aderiu ao sistema por meio de um acordo de cooperação.
Segundo Serly Marcondes, partidos políticos e demais participantes do processo eleitoral estão recebendo orientações sobre o funcionamento da ferramenta e sobre as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Mostramos aos partidos como o sistema funciona e como vamos acompanhar aquilo que está sendo colocado nas mídias. Em cerca de duas horas, conseguimos verificar se determinado conteúdo é verdadeiro ou não”, explicou.
A desembargadora esclareceu que o uso da inteligência artificial não está proibido na campanha eleitoral, mas deve respeitar os limites da legislação.
“Os candidatos e os partidos podem usar a inteligência artificial dentro da razoabilidade e da legalidade. É necessário informar que aquela imagem, aquele som ou aquele conteúdo foram produzidos ou modificados com inteligência artificial e indicar qual tecnologia foi utilizada”, afirmou.
As normas eleitorais exigem que conteúdos fabricados ou significativamente alterados por inteligência artificial sejam identificados de forma explícita. Também proíbem a utilização de deepfakes para prejudicar ou favorecer candidaturas.
A presidente ponderou que o TRE-MT não substituirá o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público ou dos juízes responsáveis pela propaganda eleitoral. O Tribunal, segundo ela, fornecerá tecnologia e estrutura para que cada instituição exerça sua atribuição.
“Eu gerencio a eleição e vou fazer com que o processo aconteça da melhor maneira possível, garantindo que cada um faça o seu papel. A gente oferece tecnologia para que todos realizem bem o seu trabalho”, declarou.
Acessibilidade e atendimento
A presidente do TRE-MT também garantiu atenção especial às pessoas idosas e aos eleitores com deficiência. Segundo ela, o tempo necessário para votar será respeitado, principalmente porque, nas eleições gerais, o eleitor precisa digitar os números de vários candidatos.
“A população idosa precisa de mais tempo e terá esse tempo garantido. Também temos um sistema de acolhimento para as pessoas com deficiência. Tudo está sendo preparado para que elas possam votar com segurança”, afirmou.
Ao final da entrevista, Serly Marcondes demonstrou confiança na realização do pleito e ressaltou que a tecnologia deve ser compreendida como uma aliada da democracia.
“A modernidade veio para nos ajudar. Quanto mais a pessoa conhece a tecnologia, mais consegue se diferenciar da desinformação. Historicamente, o Brasil sabe realizar muito bem as suas eleições”, declarou.
“Tudo o que a Justiça Eleitoral puder fazer para transformar o dia da eleição em uma festa da democracia, ela vai fazer”, concluiu.







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