Da Redação
União Brasil rejeita candidatura própria de Jayme Campos ao Governo de Mato Grosso e aproxima senador da chapa de oposição liderada por Wellington Fagundes
A derrota do senador Jayme Campos na convenção do União Brasil abriu uma crise política dentro da legenda e reposicionou uma das famílias mais tradicionais de Mato Grosso no tabuleiro eleitoral de 2026. Por 30 votos a 19, os convencionais decidiram que o partido não teria candidatura própria ao Governo do Estado e apoiaria Otaviano Pivetta (Republicanos).
O resultado barrou o projeto de Jayme Campos de disputar o Palácio Paiaguás e foi interpretado por aliados como uma ruptura com a ala histórica do partido, ligada à família Campos. A votação ainda registrou um voto nulo e uma ausência entre os 51 convencionais.
O título “traição”, repetido por apoiadores de Jayme após a convenção, resume o sentimento político de uma ala que se considera preterida dentro da própria sigla. O senador, que participou da construção da legenda desde os tempos do antigo PFL e do DEM, passou a sinalizar afastamento do grupo que conduziu a decisão, liderado pelo ex-governador Mauro Mendes.
Na terça-feira (4), Jayme foi à convenção do MDB, em Cuiabá, e declarou apoio “incondicional e irrestrito” à candidatura da deputada estadual Janaina Riva ao Senado. Na mesma noite, confirmou que estará ao lado do senador Wellington Fagundes (PL) na disputa pelo governo.
A movimentação aproxima Jayme da oposição e reforça o palanque de Wellington, que terá Marcelo Malouf (Novo) como vice e reúne, na disputa ao Senado, Janaina Riva e o deputado federal José Medeiros (PL).
O candidato a vice-governador na chapa de Pivetta, Fábio Garcia (União Brasil), indicou que, de sua parte, não há mais espaço para novas negociações com Jayme Campos para levá-lo ao grupo governista.
“Da minha parte, obviamente que não”, declarou Fábio, ao ser questionado sobre a possibilidade de o senador integrar o projeto de Pivetta.
Apesar da frase direta, Fábio adotou tom conciliador ao reconhecer a contribuição de Jayme para Mato Grosso. Segundo ele, o senador teve participação relevante em pautas como a transferência da administração da BR-163 ao Estado e a concessão da ferrovia estadual.
“A política faz parte do diálogo. Nós vamos dialogar até a exaustão”, ponderou o candidato a vice.
Família Campos
A família Campos ocupa há décadas posição central na política mato-grossense, especialmente em Várzea Grande e na Baixada Cuiabana. Júlio Campos construiu carreira como prefeito de Várzea Grande, governador de Mato Grosso, deputado federal, senador e deputado estadual.
Jayme Campos também foi prefeito de Várzea Grande, governador do Estado e senador da República, consolidando uma trajetória marcada por forte presença eleitoral e influência partidária. Sua esposa, Lucimar Campos, foi deputada federal e prefeita de Várzea Grande, ampliando a presença do grupo no comando político do município.
A derrota de Jayme na convenção, portanto, não representa apenas a rejeição de uma pré-candidatura. Ela expõe um conflito entre a força histórica dos Campos e a nova correlação de forças que passou a comandar o União Brasil em Mato Grosso.
Com a decisão de apoiar Janaina Riva e Wellington Fagundes, Jayme deixa claro que pretende manter protagonismo na eleição, mesmo fora da chapa escolhida por seu próprio partido.






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