Precisamos falar sobre Bianca Freitas

Konrad Felipe/Jornalista – konradfelipe@gmail.com

Mesmo dividindo opiniões e contrariando interesses, a jovem vereadora tem demonstrado coragem para fiscalizar, questionar decisões e defender aquilo que considera correto — inclusive quando precisa votar sozinha.

Precisamos falar sobre Bianca Freitas

Não porque ela seja uma unanimidade. Não é. Também não porque todos concordem com seu jeito, com suas posições ou com a forma direta como se comunica. Mas porque, gostem ou não dela, a vereadora vem realizando um excelente trabalho na Câmara Municipal e mostrando que Barra do Garças está, sim, bem representada.

Na política, é comum confundir atuação com quantidade de aliados. Há quem considere bom parlamentar aquele que concorda com tudo, evita conflitos e mantém uma convivência confortável com o poder. Bianca escolheu outro caminho. Ela questiona, cobra explicações, fiscaliza e, muitas vezes, enfrenta decisões praticamente sozinha.

Foi exatamente isso que aconteceu na 59ª Sessão Ordinária da Câmara, realizada em 10 de agosto. O plenário aprovou a participação remota dos cinco vereadores investigados na Operação Mesa Vazia, que apura o suposto desvio de cestas básicas e kits de higiene destinados à população em situação de vulnerabilidade.

É importante fazer uma ressalva: investigação não significa condenação, e a presunção de inocência deve ser respeitada. Mas preservar direitos individuais não impede que a sociedade cobre transparência, coerência e tratamento igualitário.

Conforme Bianca mostrou em suas redes sociais, a autorização para que os investigados participassem das sessões em sistema remoto foi aprovada com apenas um voto contrário: o dela. Em tom irônico, a vereadora chamou a novidade de “vereador EAD” e questionou por que parlamentares que não estariam impedidos pela Justiça de comparecer presencialmente precisariam exercer o mandato em regime de “home office”.

Posteriormente, Bianca também contestou uma nota de esclarecimento publicada pela Câmara. Segundo ela, o documento teria citado informações de uma decisão submetida a segredo de Justiça. A vereadora ainda argumentou que uma portaria administrativa não poderia se sobrepor à Lei Orgânica do Município.

Independentemente da interpretação jurídica que venha a prevalecer, sua atitude representa aquilo que se espera de um integrante do Legislativo: questionar, pedir esclarecimentos e não aceitar decisões apenas porque foram apresentadas pela maioria.

Bianca perdeu a votação. Mas existem derrotas no painel eletrônico que representam vitórias diante da sociedade. Há momentos em que o voto vencido é justamente aquele que mais traduz o sentimento das ruas.

Algumas pessoas tentaram diminuir sua atuação chamando-a de “vereadora TikTok”. O apelido, que pretendia ser uma crítica, acabou destacando uma de suas maiores qualidades: a capacidade de transformar assuntos complexos da Câmara em uma linguagem que a população compreende.

Bianca possui mais de 62 mil seguidores no Instagram e cerca de 400 mil no TikTok. Esses números não são apenas vaidade digital. Representam alcance, influência e, principalmente, uma comunicação direta com milhares de pessoas que antes sequer acompanhavam uma sessão legislativa.

É claro que seguidores não substituem projetos, fiscalização ou resultados. Entretanto, no caso de Bianca, as redes sociais funcionam como extensão do mandato. É por meio delas que a vereadora mostra votações, explica decisões, apresenta denúncias e permite que o cidadão compreenda o que acontece dentro da Câmara.

E sua atuação não está limitada às redes sociais.

Bianca já chamou a atenção para os prejuízos enfrentados por Barra do Garças ao custear atendimentos de saúde utilizados por moradores de outros municípios sem receber uma compensação financeira proporcional. Defendeu a mobilização regional por um novo hospital e por uma participação maior do Governo do Estado no financiamento da saúde local.

Também apresentou proposta para priorizar a pavimentação em frente a escolas, unidades básicas de saúde e outros locais de atendimento público. São pautas concretas, que atingem diretamente a vida das famílias.

A vereadora também não se calou diante de ataques misóginos recebidos nas redes sociais. Depois de registrar boletim de ocorrência e adotar as providências judiciais, decidiu tornar o caso público para alertar outras mulheres. Ao fazer isso, não defendeu apenas a própria imagem: colocou em debate a violência política de gênero que ainda tenta afastar mulheres dos espaços de poder.

Bianca carrega ainda a responsabilidade de representar uma renovação histórica. Depois de mais de uma década sem mulheres eleitas para a Câmara de Barra do Garças, ela e a professora Maria Silvânia devolveram a presença feminina ao Legislativo municipal. Bianca tornou-se, ainda, a mulher mais jovem eleita vereadora na história da cidade.

Mesmo durante sua licença-maternidade, quando enfrentou divergências internas e precisou recorrer à Justiça para reassumir antecipadamente o mandato, demonstrou que não estava disposta a abrir mão da cadeira que recebeu pelo voto popular.

Alguns não gostam dela. Outros discordam de sua linha política. Há quem considere sua postura dura, excessivamente direta ou provocadora. Mas uma coisa precisa ser reconhecida: Bianca não passa despercebida e não ocupa o mandato apenas para cumprir protocolo.

Quando compartilhei uma de suas atuações nas minhas redes sociais, observei algo que considero raro na política atual. Pessoas que sei que são de direita elogiaram Bianca. Pessoas de esquerda também reconheceram seu trabalho. Outras escreveram que não gostavam dela, mas que admiravam sua atuação e admitiam que ela vinha realizando um ótimo mandato.

Em uma sociedade marcada pela polarização, conseguir o reconhecimento de pessoas da direita, da esquerda e do centro é uma demonstração de que o trabalho ultrapassou as fronteiras ideológicas.

Bianca é identificada por muitos com posições mais à direita. Isso, porém, não impede que eleitores de diferentes correntes reconheçam sua coragem. Quando um parlamentar enfrenta aquilo que considera errado, defende o dinheiro público e cobra transparência, a ideologia perde espaço para algo maior: o interesse coletivo.

Tenho acompanhado a política de Barra do Garças desde 2012, trabalhando com jornalismo, redes sociais e marketing político. Nesse período, vi candidatos populares, bons comunicadores e lideranças com forte estrutura partidária. Mas poucas vezes presenciei um movimento tão espontâneo nas redes sociais defendendo que uma vereadora se torne prefeita da cidade.

O nome de Bianca já aparece frequentemente nas manifestações de seguidores como uma possibilidade para a Prefeitura. Talvez isso aconteça em 2028. Talvez apenas em 2032. Pode também ser que ela escolha outro caminho. O futuro político pertence a ela e, principalmente, ao eleitor.

Evidentemente, administrar uma cidade exige muito mais do que popularidade. Exige equipe, capacidade de diálogo, planejamento, conhecimento técnico e articulação política. Se desejar disputar a Prefeitura, Bianca precisará demonstrar que consegue transformar sua força de fiscalização em capacidade de gestão.

Mas ignorar o movimento existente em torno de seu nome seria um erro de leitura política. Há um clamor real, crescente e espontâneo. As pessoas não enxergam nela apenas uma vereadora de vídeos populares. Enxergam alguém que fala aquilo que muitos gostariam de dizer e que enfrenta situações diante das quais outros preferem permanecer em silêncio.

Elogiar seu trabalho não significa oferecer um cheque em branco. Como jornalista, continuarei cobrando Bianca sempre que for necessário, assim como devemos cobrar todos os ocupantes de cargos públicos. Reconhecimento não elimina fiscalização.

No entanto, a mesma honestidade que nos obriga a criticar quando algo está errado também exige que saibamos reconhecer quando alguém está fazendo um bom trabalho.

Bianca incomoda, questiona, enfrenta e, algumas vezes, perde sozinha. Mas não se esconde.

Por isso, precisamos falar sobre Bianca Freitas.

Porque, neste momento, ela nos representa.

Seja o primeiro a comentar sobre "Precisamos falar sobre Bianca Freitas"

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.


*