O eleitor deve conhecer o legado antes das promessas

Toda eleição traz consigo uma longa lista de promessas. Candidatos anunciam planos para melhorar a economia, aumentar a segurança, gerar empregos, fortalecer a saúde, transformar a educação e modernizar o Estado. Apresentar propostas é necessário. O que não faz sentido é permitir que o passado de quem já exerceu mandato desapareça diante de um novo conjunto de promessas.

Antes de dizer o que pretende fazer no futuro, todo candidato que já ocupou cargo eletivo deveria apresentar ao eleitor aquilo que efetivamente realizou.

Presidentes da República, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores que desejem novamente receber a confiança da população deveriam fazer uma verdadeira prestação de contas de sua vida pública.

Não uma peça de propaganda, mas um balanço objetivo de resultados.

Quais medidas tomadas durante seus mandatos continuam beneficiando a sociedade? Que avanços foram obtidos na economia? O que foi feito pela segurança pública? Quais melhorias permaneceram na saúde, educação, infraestrutura e geração de empregos? No caso dos parlamentares, quais projetos relevantes foram apresentados, aprovados ou ajudaram a transformar em lei?

A resposta a essas perguntas permitiria ao eleitor avaliar não apenas a capacidade de falar, mas principalmente a capacidade de realizar.

Quem já administrou uma cidade e pretende governar um Estado deveria mostrar o resultado de sua gestão municipal. Quem governou um Estado e deseja chegar à Presidência da República precisa apresentar o legado deixado à população. Quem esteve durante anos no Parlamento e agora busca um cargo executivo deve explicar quais benefícios concretos sua atuação legislativa produziu.

Não se trata de negar importância às propostas para o futuro. Elas são essenciais. Mas promessa sem histórico, quando existe histórico a ser avaliado, não pode valer mais do que resultado comprovado.

Quem disputa uma eleição pela primeira vez encontra-se em situação diferente. Não possui mandato anterior para apresentar e, por isso, deve ser avaliado por seu preparo, experiência, coerência e qualidade de seu programa de trabalho.

Esse modelo de debate poderia também contribuir para melhorar o nível das campanhas eleitorais brasileiras. Em vez de concentrar atenção em ataques pessoais, provocações e disputas que pouco ajudam a população, candidatos seriam obrigados a discutir realizações, resultados, prioridades e propostas executáveis.

A democracia precisa do confronto de ideias, mas não pode depender apenas do confronto entre pessoas.

Também é necessário continuar discutindo o aperfeiçoamento das regras eleitorais. Questões como reeleição, duração dos mandatos, calendário das disputas e campanha permanente dos ocupantes de cargos executivos merecem reflexão. Governar deveria significar administrar pensando no interesse público, e não transformar todo o mandato em preparação para a eleição seguinte.

O eleitor brasileiro precisa assumir cada vez mais o papel de fiscal daqueles que receberam seu voto.

Talvez a pergunta mais importante de uma campanha não seja “o que você fará se for eleito?”

Antes dela deveria existir outra:

“O que você fez quando já teve a oportunidade?”

Essa resposta revela muito mais do que slogans, discursos e peças de propaganda.

Quem pretende receber novamente a confiança da população precisa demonstrar como utilizou a confiança que recebeu anteriormente.

Antes das promessas, mostrem as realizações. O eleitor merece conhecer não apenas o futuro anunciado, mas também o passado que comprova se o candidato realmente sabe entregar resultados.

 Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

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