Ômicron, gripe e cuidados

Em meio às incertezas do final (?) da pandemia do Covid-19, eclode o surto epidêmico de gripe. Isso leva a autoridade sanitária a diminuir o ritmo das flexibilizações de comportamentos e costumes da população. A liberação do uso da máscara, que já deveria ter ocorrido no mês passado, agora está marcado para 31 de janeiro. E, a bem da verdade, não sabemos se naquela data as condições sanitárias o permitirão e a população estará preparada para tanto. Os hospitais  registram o aumento do número de gripados tanto nos serviços ambulatoriais quanto nas internações de casos que se complicaram. Todo cuidado é pouco e a responsabilidade não fica restrita às equipes de saúde, esten dendo-se também à população, que deve se resguardar.  Tudo isso, sem falar da vertente Ômicron do Covid-19, que vai se alastrando e ainda não temos certeza de como nossa população será impactada.
É certo que a pandemia e seus efeitos ainda estão presentes e são preocupantes. Mesmo que a variante vinda da África do Sul seja menos letal que as demais, é preciso manter a estrutura de saúde em condições de atender a população em caso de acometimento de muitos indivíduos ao mesmo tempo, como é a sua característica anunciada. Agora surge a gripe, de forma preocupante e em diferentes áreas do país. Não podemos baixar a guarda e devemos manter a excelência do diagnóstico para evitar que as semelhanças entre os sintomas possam levar a conclusões errôneas e ao atraso no tratamento do mal efetivamente presente.
Vivemos a semana do Natal, festa máxima da cristandade, que costuma reunir as famílias. É bom lembrar que o coronavírus, nas suas diferentes formas, continua presente. E que na falta de cuidados – máscara, lavagem das mãos e distanciamento – o  agente pandêmico poderá passar de um indivíduo para outro, mesmo entre os vacinados, que terão menor gravidade mas mesmo com as três doses do imunizante, ainda poderão se infectar. A guerra ainda não acabou e, com certeza, se prolongará em 2022, em proporções que deveremos avaliar a cada instante, para, a partir da verificação, adotar as melhores providências para cada tempo.
Uma das grandes preocupações está nos 20 milhões de brasileiros que fugiram da vacina, não voltando para a segunda e terceira doses. A droga está à disposição, gratuitamente, nos postos de imunização. Mas as conversas e boatos circulados durante a pandemia os levou a rejeitar o processo por diferentes razões, inclusive políticas (o que é lamentável). É difícil mudar a cabeça dos que já arraigaram um raciocínio. E o pior é que, se potencializarem um novo surto, não só eles adoecerão e até morrerão, mas também os que com eles convivem ou se comunicam pessoalmente. Uma verdadeira falta de cidadania.
Semanas atrás se discutiu largamente a proibição de festas de Natal, Ano Novo e até o Carnaval. É bom lembrar o povo e principalmente as autoridades de que o quadro não mudou, ou pode até ter piorado depois da chegada da Ômicron e da elevação da incidência de gripe. Em relação às festas de Natal, a essa altura dos acontecimentos, pouco se poderá fazer. Mas há uma semana a mais para pensar no Ano Novo e ainda dois meses para decidir o Carnaval. Ninguém é partidário de acabar com as festas, mas o momento de crise sanitária exige cuidados e muita responsabilidade. Pior do que não ir à festa é, depois dela, ficar acamado, ter de se internar e até perder a vida.
As autoridades da Saúde Pública precisam orientar a população sobre os limites a observar. Não é possível e nem aconselhável quarentena ou lockdown na situação hoje vivida em nosso país. Mas todo indivíduo tem o direito de saber o que deve e, principalmente, o que não deve fazer, para preservar a saúde e restar em condições de festejar Natal, Ano Novo, Carnaval e todos os momentos importantes de suas vidas nos anos vindouros…  

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 
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